Graciliano Ramos

Fotografias: Evandro Teixeira

Editora Record

Rio de Janeiro/RJ  – 2008 – 1ª Edição

208 páginas

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Ganhei este livro em 2009, acho, por conta da edição comemorativa e lindíssima de aniversário da publicação.

Vidas Secas narra, em terceira pessoa, a fuga de uma família de retirantes, da caatinga durante a seca. O autor não banaliza a história e também não critica o sofrimento dos retirantes ou a brutalidade do patrão. Apenas narra a história friamente.

Foi escrito no período literário do Modernismo e apresenta fortes influencias do Marxismo.

É claro que conseguimos visualizar as diferenças sociais e o sofrimento deste povo, mas Graciliano se coloca como o narrador isento. Não há um texto tendencioso, é o leitor quem deve se posicionar.

Muita coisa se pode dizer sobre o livro, que é curtinho e preciso, mas o principal são os estereótipos encontrados no livro, e não em um sentido negativo.

Propositalmente, a maioria dos personagens não tem nome, é o menino mais novo e o menino mais velho, o soldado amarelo e o dono da fazenda. E assim vai.

O leitor não tem um personagem humanizado, mas um ser que representa uma classe social, e ao entender o que é a caatinga, percebe-se uma justaposição dos personagens ao cenário.

Homens, mulheres e crianças vão se tornando cada vez menos humanos e mais parte do contexto, do deserto em que vivem, sem sentimentos, sem razão.

Ao contrário da cadelinha Baleia, que a cada capítulo, vai se tornando mais humana, e é o personagem com quem mais nos identificamos, depois de Fabiano, o chefe de família.

A intenção do autor era justamente essa, de que entendêssemos como a caatinga transforma homens e mulheres em seres que não pensam, e não sentem, mas que aceitam a vida da forma que se apresenta, mesmo brutal.

O título traduz de forma impecável o significado mais profundo do livro. A secura de sentimentos e de futuro, em um lugar onde a justiça ainda não chegou.

Não é a toa que este livro é essencial, necessário para a compreensão de um sentimento dos nordestinos no início do seculo XX. Fundamental para a literatura brasileira.

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