Filme espanhol de 2016

Direção de Geraldo Olivares

Disponível no Netflix.

foto da internet

Já havia lido sobre este filme e me interessei bastante, mas antes de falar sobre as minhas impressões vamos a uma sinopse básica:

Beto é um biólogo que vive no extremo da Patagônia, estudando o comportamento das orcas que aparecem por lá. Vive em uma cabana com o mínimo para sua subsistência, e a rara companhia de um ajudante que aparece eventualmente, assim como dos vizinhos que moram longe.

Um dia, aparece uma moça com seu filho autista. Ela afirma que o menino vivia fechado em seu mundo até ver um documentário sobre Beto e as orcas, e só então demonstrou algum interesse pelo mundo. Aquela viagem era sua última alternativa para trazer paz para o filho e para ela mesma.

E é isso.

Não espere um filme de Hollywood cheio de grandes momentos emocionantes do menino com as orcas. Não é esta a proposta. O filme é daqueles em que nada acontece, mas tudo está subliminar.

Na verdade, histórias com menininhos problemáticos existem aos montes, mas neste caso, a sensibilidade que o diretor demonstra em relação ao autismo é extrema. O tempo todo, personagens reafirmam que o autismo é um transtorno que causa problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e comportamento social da criança. Transmitir isso em um filme sem se tornar piegas ou falso é uma tarefa e tanto, mas o esforço é recompensado.

Então temos um Beto ogro, mal-educado e insensível, que trata mãe e filho como intrusos. Logo vemos que a sensibilidade deste homem está com as orcas e não com os humanos. A mãe – Lola – inicia o filme como qualquer mãe meio alucinada para ajudar o filho, nervosa e super protetora. E temos o menino: Tristan, muito competente na postura do garoto autista.

Ao longo do filme, vamos vendo como esses três vão conseguir se relacionar e transmitir sentimentos de uma forma, às vezes, seca, mas cheia de conteúdo. Não há abraços e lágrimas abundantes, ou grandes declarações. São olhares, um gesto das mãos, uma pequena ajuda necessária. O comportamento dos personagens imita o espaço em que estão inseridos, um lugar árido, com vegetação desértica, um vento incessante, e o mar gelado e infinito.

A fotografia do filme é algo para se extasiar, e o diretor usa e abusa de uma paisagem simplesmente maravilhosa. Soma-se a isso, uma trilha sonora pra lá de competente.

Não há cenas desnecessárias, também não existem grandes explicações sobre a vida pregressa dos personagens. Vamos conhecendo Beto e Lola conforme ambos vão se conhecendo. Um passo para frente, dois para trás.

O mesmo vale para o mar e as orcas. Somente conseguimos entendê-las no contexto do filme, após entender quem é Beto e porque ele está ali.

Mas o filme em que quase nada acontece, transmite uma beleza infinita.

Já está na minha lista dos favoritos.