Uma Fábula Eterna

Helene Wecker

Tradução: Cláudia Guimarães

Editora Darkside

Rio de Janeiro/RJ – 2015 – 1ª Edição

520 páginas

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Ganhei este livro de aniversário no ano passado e só consegui ler agora. A edição é linda: capa dura, letras douradas na capa, fitinha marcadora, tamanho diferenciado (é um pouco maior que os livros normais), e ainda por cima o papel é do tipo pólen, naquela cor amarelada, com gramatura maior, uma delicia para ler.

Por dentro, vem umas gravuras e fotos do inicio do século, nos bairros onde se passa a história. Mas o que nos interessa é o conteúdo então vamos a ele:

As premissas são ótimas: estamos em começo do século XX, em uma Manhattan em constante mudança, com milhares de imigrantes chegando e fazendo a vida na América, e aí chegam ao local uma golem e um gênio.

Golem é uma figura do folclore judeu, um ser feito de barro, que ganha vida por meio de encantamentos que poucos estudiosos sabem. Este golem, usualmente masculino, serve para fazer serviços pesados, além de satisfazer e defender o seu dono. Existe aí uma tendencia à violência, já que o golem defende seu mestre a qualquer custo, e tem uma força imensurável.

O gênio vem do folclore árabe ou beduíno, dos povos do deserto, são criaturas fugazes, que nascem do fogo, e com grande dificuldade podem ser capturadas e dominadas através do ferro, material que causa dor ao gênio.

Assim, o livro nos traz um judeu falido, que está indo embora para a América e pede a um rabi amoral que faça uma golem para lhe servir de esposa. Porém, durante a viagem, ainda no navio, o rapaz “acorda” a golem, e logo depois morre de apendicite.

Em paralelo, temos a história de um ferreiro sírio que trabalha bem e tudo o mais, e recebe a encomenda de arrumar uma linda garrafa de cobre. Assim que começa a trabalhar na garrafa, um gênio é liberado. O ferreiro assombrado acaba por fazer amizade com o gênio e passa a trabalhar com ele.

Em certo momento da estória a golem, que se chama Chava, e o gênio que se intitula Ahmad, acabam por se encontrar. Fazem amizade e passam a partilhar os dilemas de suas vidas, nem tão vidas assim.

Bom, enquanto pesquisa histórica o livro é sensacional, temos uma visão muito clara do que era a vida dos imigrantes em uma Nova York suja e pobre, em alguns bairros, pelo menos. Temos uma noção muito boa do que era o comércio, das festas, das interações entre as famílias afins, e até mesmo a separação entre os grupos, no caso, judeus x árabes.

E não se preocupe, as informações se inserem no texto de forma bem tranquila, sem grandes descrições então a leitura é fácil neste sentido.

A ideia geral do livro também é maravilhosa, já que as culturas apresentadas: judaica e árabe, são muito ricas e seus folclores e superstições são pouco divulgados. Então saber um pouco mais disso é bem legal.

Porém a história não desenvolve, são vários personagens que interagem entre si e trazem mais informações sobre Chava e Ahmad, o que também é legal, mas chega uma hora que cansa. A história acaba enrolando em alguns momentos desnecessários.

Claro que, aos poucos a gente vai percebendo porque a autora inseriu este ou aquele personagem, ou porque houve esta reviravolta na história – acontecem várias – mas fica cansativo depois de um certo momento.

Penso que o livro poderia ter se encerrado umas 100 páginas antes, mas ainda assim, indico a leitura pelo prazer de se conhecer esta Nova York encardida, que fala outras línguas além do inglês.

Nota: 3/5