Jane Austen

Tradução: Alexandre Barbosa de Souza

Editora Penguin – Companhia das LEtras

São Paulo/SP  – 2011 – 1ª Edição

569 páginas

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Esse é um livro difícil de se comentar.

Porque temos filmes, minisséries, novelas e até revista em quadrinhos, todos usando como referencia a história de amor entre Elisabeth Bennet e Mr. Darcy. E para fechar o argumento, temos a mesma estória em um filme de Bollywood, a meca do cinema indiano.

Além disso, o fenômeno Jane Austin movimenta blogs, clubes de livros e inúmeros pequenos negócios pelo mundo.

A pressão é grande, então vamos tentar fugir da obviedade. Mesmo com dificuldade.

Primeiro porque Jane Austen podia ser qualquer coisa, menos óbvia. Pode parecer estranho nos dias de hoje, mas na época da mocinha Jane, os romances eram improváveis, cheios de paisagens sinistras e situações absurdas.

A autora investiu assim numa paisagem natural, nada de castelos assombrados ou mansões tenebrosas, mas casas de família, passadas por herança, homens e mulheres comuns, vivendo seu cotidiano ao casar, ter filhos, e depois se esforçar para casar os tais filhos.

Além disso, ela escreve sobre e para mulheres. Vamos lembrar que o século XVIII e XIX é o século em que as mulheres europeias, especialmente as inglesas, não tem muito o que fazer. Não estou falando das serviçais, mas das moças de família. Os livros de Austen podiam ser lidos por qualquer mocinha e tudo bem.

Além disso, sua escrita está nas sutilezas, quando o texto tem muitas afirmações e exuberância, na verdade Jane Austen está sutilmente convidando o leitor a não se deixar enganar, pois tem alguma coisa fora do lugar.

Outro ponto importanto é o desafio que as personagens de Austen, especialmente suas heroínas, enfrentam é quando enxergam as coisas como realmente são ou quando precisam expressar o que sentem.

A grande sacada é: Jane Austen nos mostra o que está por baixo das camadas de tecido da sociedade inglesa. Por trás de todas aquelas delicadezas entre a mocinha e o mocinho, assim como todos os demais personagens, está a grande dúvida de todos eles, quem sou eu e o que eu quero. Dilemas existenciais de todos nós, aliás.

Daí a força de Orgulho e Preconceito, afinal, tanto Lizzie quanto Darcy ficam se digladiando pois não entendem o quanto são parecidos e como querem as mesmas coisas.

Um dos momentos mais intensos do livro é quando Darcy pede Lizzie em casamento pela primeira vez: ele sabe que ama, porém expressa seu desgosto neste amor. Lizzie despreza o pretendente mas fica mal pois não entende que já está interessada nele.

Não é a toa que Lizzie Bennet se tornou uma das personagens mais fortes da Literatura Mundial, pois suas nuances e dúvidas, e principalmente, seus erros, fazem da mocinha um personagem mais do que plausível.

O que dá dó é a forma como usam esta estória incrível da forma mais rasa, pois não é só uma menina pobre e voluntariosa que se apaixona pelo riquinho orgulhoso. O livro traz muito mais do que isso. Traz com riqueza o modo de ser e de se comportar na Inglaterra de então.

Jane Austen entretêm enquanto nos ensina todo um modo de viver e pensar dos ingleses. Leitura obrigatória. Apenas

Nota: 5/5