Como eu falei no post que fiz sobre a Foundation Claude Monet em Giverny, existe um museu pequenino, ou nem tão pequenino assim, pertinho da roda gigante que existe nos jardins das Tulleries.

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Jardim ao lado do Museu

É um prédio com subsolo, e é especializado no período Impressionista. Nunca falam muito deste museu porque se você for no Dorsay, que é focado na arte do séc. XIX, tem um monte de pintura impressionista também, muitos Cezannes, Degas, Monets e Van Goghs.

E só fui no l’Orangerie por uma casualidade. Comecei o dia no Museu Rodin, aí decidi andar a pé, e acabei chegando no Sena, passei por este Museu, decidi entrar.

A história é a seguinte: Monet teve a ideia de pintar grandes telas sobre as flores que caíam no lago e formavam momentos poéticos. Construiu um grande galpão para poder pintar as telas gigantes, e inclusive, deixou especificações muito claras sobre como queria que os quadros fossem expostos. Um grande amigo arquiteto desenvolveu o projeto.

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Detalhe para as pinceladas do artista

O prédio foi construído em 1852 e passou por diversos usos até que, em 1918, Monet informa ao chefe do governo – Clemenceau – a intenção de doar ao Estado Francês seus painéis “Nymphéas” (Ninféias ou Nenúfares).

Em 1922, ele assina o acordo da doação, onde se compromete a doar as grandes composições das “Nymphéas” que, por sugestão de Clemenceau, seriam expostas em duas salas do Orangerie. Porém, por causa dos problemas de saúde de Monet e por sua relutância em se separar da sua obra, os quadros só são doados após a morte do artista, em 1926.

Alguns meses depois, em 17 de maio de 1927, as salas com os painéis são inauguradas, seguindo as disposições desejadas pelo pintor. Os painéis de Monet ocupam o lado leste do museu. O outro lado é ocupado por uma galeria onde acontecem exposições temporárias.

Segundo painéis explicativos do museu, a exposição não fez grande sucesso até depois da Segunda Guerra, quando um americano fez um artigo sobre as Ninféias e atraiu a atenção de todos.

A ideia de Monet era de que a pessoa chegasse estressada ao museu e, ao contemplar as ninféias, entrasse em um mundo de paz e tranquilidade. De fato, os quadros são considerados quase abstratos e são precursores da pintura moderna.

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Só vendo mesmo, para entender a beleza e a complexidade da pintura, a beleza das cores, a leveza das pinceladas. Os quadros são gigantes, são oito composições que tem em media, 1,90 x 12,00 metros, mais ou menos, já que medi no olho mesmo. Os quadros se diferenciam pelos tons das estações, como Monet observava em sua casa.

Difícil é ter essa experiencia transcendental com a quantidade de gente que circula e tira selfies juntos aos quadros. Sentei no chão para melhor absorver tudo.

Já o Subsolo contem cerca de 150 obras de arte impressionistas e modernas, incluindo Renoir, Manet, Van Gogh, Picasso, Gauguin e outros, todas doadas pela viúva de Paul Guillaume e Jean Walter, um era marchant, o outro industrial. Tem até maquete da casa de um deles. Chique, né?

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É um museu para se voltar e para se amar. Apenas.

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