Carlos Drummond de Andrade

Editora Record

Rio de Janeiro/RJ  – 1991 – 9ª Edição

205 páginas

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Vou começar na Lista dos 100 Livros Essenciais da Literatura Brasileira lá pelo numero 15… E decidi escrever este post nas quintas. Além disso, será alternado, hoje literatura brasileira, próxima semana, mundial. E assim por diante.

Acabei de me dar conta de que não tenho os livros anteriores da lista, pois apesar de lidos, foi há tempos, quando ia em bibliotecas saciar minha sede de livros.

Enfim.

Essa minha edição é antiga porque ganhei na época em que prestava vestibular. Faz tempo. E tem mais, é um livro de poesias, aliás, será que é o primeiro livro de poesias do qual estou escrevendo?

Acabei de confirmar, e sim, é o primeiro de poesias que estou falando sobre.

Mas vamos ao livro: é um livro com data, calma, eu explico, Drummond escreveu estas poesias nos anos da Segunda Guerra Mundial, e publicou em 1945, ou seja, todas as poesias falam de dor, de separação, injustiça e solidão.

Mas falam também de reencontros, de tristeza funda, mas de gente que segue a vida, mesmo com dor no peito.

Pronto, fiquei poética também… 🙂

Possui 55 poemas e é a primeira obra madura e a de maior expressão do lirismo social e modernista brasileiro. A Rosa representa a poesia.

Mas entender este livro implica entender de Drummond, que nasceu em Itabira, Minas Gerais, e essas lembranças da vida no interior, e da população permeiam toda a sua obra. Ler a Rosa do Povo é ler sobre gente simples que sofre o revés da guerra, falando daquele jeito mineiro, mais nas entrelinhas do que falado de fato.

Por isso, a poesia de Drummond vem forte, porque o mineiro mais cala do que fala, e este livro traz justamente esta dor, este não falar.

Assim não é um livro fácil de se ler para quem não tem maior contato com a poesia, especialmente modernista. Tudo é cheio de metáforas, e em alguns momentos, Drummond recorre a elipses (figura de linguagem em que parte do texto é omitida por estar subentendida) e também a imagens surrealistas.

O autor também mistura a linguagem culta com a coloquial mostrando a tensão entre as questões políticas – no caso dele, a adesão aos ideais de esquerda – com a completa desilusão ao status quo.

Não há aquele humor tão refinado em outras obras do autor, mas sim fatos bem característicos na década de 1940.

Apesar disso, as poesias seguem atemporais, podemos lê-las hoje e sentir a mesma dor.

Segue abaixo uma estrofe no poema Nosso Tempo:

“Este é o tempo de partido,

tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,

viajamos e nos colorimos.

A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.

Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.

As leis não bastam. Os lírios não nascem

da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se

na pedra.”

Essencial para se entender Drummond, e poesia, e guerras, e literatura brasileira.

Leia! Apenas.

P.S.: não vou dar nota nos Essenciais.

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