Charles Belfoure

Tradução: Paulo Afonso

Editora Bertrand Brasil

Rio de Janeiro/RJ – 2017 – 1ª Edição

391 páginas

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Sério, alguém achou que eu não compraria este livro? Já queria quando vi na pré-venda da Livraria Saraiva.

Bom, vamos ao resumo básico: Lucien Bernard é um arquiteto na Paris dos anos 40, em plena ocupação nazista. Sem recursos nem trabalho algum, acaba aceitando a proposta de um milionário francês para trabalhar em conjunto com o exército alemão,  projetando uma fábrica de armamentos.

A pegadinha é que o milionário só vai passar o serviço se, em paralelo, Lucien projetar esconderijos para judeus, em imóveis pré-determinados.

É isso.

Achei que seria aquele livro lindo, do arquiteto fofo ajudando as pessoas e tal. Não.

Lucien é um babaca arrogante e mesquinho, que só quer a grana e o luxo que o serviço traz, quer comprar vinho de novo, presentes para a amante e demais tolices. O lance de salvar judeus o deixa quase louco de medo de ser pego. E isso a gente saca logo no começo. Porque ele aceita? Porque é vaidoso o bastante para querer enganar os alemães.

O que o livro traz de incrível:

1- O autor também é arquiteto, então os detalhes dos esconderijos, as descrições da decoração ou mesmo da estrutura dos locais, são bem reais e fáceis de visualizar.

2- Lucien é apaixonado por arquitetura moderna e fala muito da Escola Bauhaus, do alemão Walter Gropius, tudo verdade!

3- Mas o mais legal de tudo mesmo, é a visão que temos de uma Paris ocupada, do ponto de vista de um morador francês. As dificuldades para se conseguir alimento, a questão da gasolina e das filas para comprar.

Os tickets distribuídos para os privilegiados e a reação dos soldados alemães a esta cidade apaixonante.

São detalhes que não sabemos de pronto. Depois de tantos anos, como foi para os parisienses, conviver com o inimigo e ainda ter que trabalhar, comer, e andar pela cidade vazia.

Não poder desfrutar de suas noites iluminadas, ou mesmo tomar um bom vinho de frente para a rua fez estragos na mente dos parisienses.

Mas vamos voltar à história de Lucien: que é meio óbvia, já que ele começa se dividindo entre o pânico de ser descoberto e a alegria de comprar presentes caros para a amante. Em paralelo, temos sua vaidade em fazer o esconderijo perfeito, enganando os alemães.

Aos poucos, porém, ele vai percebendo tudo o que está em jogo, e vai mudando, crescendo e descobrindo que a vida é mais do que um bom pedaço de queijo à mesa.

Sua relação com os alemães também é bem óbvia. Temos o alemão bonzinho, que gosta de arquitetura e admira o trabalho de Lucien, e o alemão mauzinho, que tenta sempre diminuir o francês.

Então o livro vale muito pelos detalhes de arquitetura, sem ser muito técnico ou chato, e também pelo aspecto histórico, que também aparece durante a história, sem aquelas descrições imensas, que ninguém quer ler.

De resto é um livro sobre a segunda guerra, muito fácil de virar filme.

Nota: 4,5