Filme de 2017 – Direção: Taika Waititi

thor-ragnarok

Antes de começar a falar deste Thor, vou só complementar que assisti Homem-aranha: de Volta ao Lar, também de 2017.

O menino aparece no finalzinho de Guerra Civil e está fofo, divertido e ainda meio perdido em seus poderes, certo? Pois é, o filme solo do adolescente Peter Parker segue essa linha, e para os fãs pode até ser uma boa ver o garoto sem grandes dramas. Mary Jane não aparece neste momento, mas uma outra garota.

Destaque para o melhor amigo com cenas hilárias. E para o Homem de Ferro agindo como o mentor do garoto, o que pode ser um prelúdio para os Vingadores, já que há sérias dúvidas de que Capitão América sobreviverá após o próximo Vingadores (longa história, mas basicamente, o contrato do ator se encerra no Vingadores: Guerra Infinita).

Bom, vamos ao Thor. Olha, vai ter muito spoiler daqui para frente, já aviso!

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Para quem não se lembra, no final do segundo filme, temos Thor conversando com Odin, abdicando de sua posição como herdeiro do trono, Odin concorda e quando Thor vai embora vemos que, na verdade, era Loki disfarçado e tipo, cadê Odin?

Então o filme começa com Thor preso, e meio que explicando onde estava nos últimos anos, e logo enfrenta um monstro e tals. Esse monstro já explica o que é o Ragnarok, e também avisa Thor de que Odin não está em Asgard.

O que se pode dizer sobre o filme que muitos já não disseram? O novo diretor conseguiu dar um gás fenomenal ao filme, transformando-o em uma comédia leve, com excelentes interpretações de Mark Rufallo (Hulk) e Jeff Goldblum (Grão-Mestre), além da sempre maravilhosa Cate Blanchett (Hela). Sim, Chris Hemsworth (Thor) segue sendo um espetáculo aos olhos, especialmente após mudar o visual para algo mais contemporâneo. A dúvida é, ele voltará ao padrão em Vingadores: Guerra Infinita? Espero que não.

Temos que falar também da trilha sonora, muito competente com a sensacional escolha de Immigrant Song do Led Zeppelin, que apareceu tanto nos trailers quanto no filme.

Escolha do diretor, que aliás foi escolhido pelos produtores também por causa desta mesma música.

Deu tão certo colocar esta musica logo na primeira batalha do herói, que se repete na batalha final. Ooops, spoiler radical. 🙂

E realmente, dá aquele arrepio na espinha quando a música começa e Thor luta. Show mesmo.

Mas o que me chamou a atenção foram dois pontos:

1- Apesar dos toques de comédia e ótimos diálogos com uma ironia fina, o filme traz vários elementos que me lembraram Senhor dos Anéis, afinal o Ragnarok é o final dos tempos para Asgard, está nas lendas da cultura nórdica como o momento em que os deuses vikings morrem e tal.

Ou seja, uma mudança radical, onde nada será como antes. Então no filme, vi isso, desde guerreiro que se acovarda mas no último momento se entrega a morte com honra, para defender seu povo, até homens e mulheres lutando, mesmo cientes da morte iminente.

Aquele slow-motion antes de algo muito forte acontecer… Aquele cenário sombrio e triste, a população toda unida. Ah! Tem um momento em que o povo de Asgard se esconde da vilã em uma caverna antiga com grandes portais de pedra! Igualzinho a Senhor dos Anéis. Não se pode reclamar, afinal todos bebem da mesma fonte, a cultura nórdica é rica e cheia de elementos ótimos para heróis.

Então tem todo um lance de super heróis e batalhas, explosões e tals, mas também tem uma pegada estamos-lutando-por-um-bem-maior. Gostei muito, aliás.

2- Cadê a Jane? Pois é! Tiraram Natalie Portman-Jane, a eterna namorada de Thor, e no começo tudo se explica, que ela terminou com ele, mas é bem rápida a explicação. Enfim.

Penso que, além de questões contratuais da atriz e tals, deve ser também a questão do lugar/atitude da mulher dentro dos conceitos atuais.

Nos gibis, Jane era a namorada humana e sem poderes, uma cientista. Existe um momento nas histórias em que ela assume o martelo de Thor, sendo aceita por Odin após isso, mas basicamente ela é a mocinha indefesa.

Atualmente, não existe muito lugar para esta mulher que só espera a salvação do amado. A mudança é tão clara nos filmes de uns 10 anos para cá, que hoje temos uma jedi do bem/protagonista, em uma franquia que era, basicamente, de meninos.

Quero falar mais deste assunto! 🙂

Então a Marvel tira a Jane sem poderes e coloca uma Valkiria. As valkirias, segundo a lenda, eram deusas menores, guerreiras que serviam a Odin, associadas a corvos e também a cavalos. Enfim. Thor encontra essa Valkiria perdida, e ela acaba se unindo a ele na luta contra o Ragnarok.

No filme não há romance, o que pode ter agradado os fãs mais radicais dos gibis que, normalmente, não gostam de mudanças na história. E, no final das contas, a personagem acrescenta mais dinâmica aos mitos em torno de Thor, afinal, nas lendas, a companheira de Thor era guerreira também.

Mas não se engane, tem um climinha entre a Valkiria e o mocinho, agradando quem curte um romance entre super-heróis. 🙂

O filme, de um modo geral, agrada. No meu caso – nota 4 – gostei tanto que assisti de novo.

Acho que é um bom prelúdio para os próximos filmes da saga.

E agora tem Pantera Negra nos cinemas! 🙂

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