Chimamanda Ngozi Adichie

Tradução: Júlia Romeu

Editora Companhia das Letras

São Paulo/SP – 2017 – 1ª Edição – 1ª Reimpressão

233 páginas

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Esta autora africana é reconhecidamente feminista, e devo à TAG Livros o interesse em ler os textos dessa moça.

Ela indicou o livro de outubro de 2017, também uma escritora africana nunca antes publicada no Brasil – não li ainda. 😦

Por causa de seus livros, a autora entrou na lista dos 20 autores de ficção mais influentes com menos de 40 anos em 2010. Ela tinha publicado apenas 3 livros até o momento. Lembrando ainda que, No Seu Pescoço foi lançado em 2009.

O livro é uma experimentação da autora, especialmente para defender sua palestra do TED  Taks 2009 – “O problema com estereótipos não é que eles sejam falsos, mas sim que eles são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a única história”, disse Adichie na época, na palestra intitulada “O perigo de uma história única”.

No Seu Pescoço tem 12 contos curtos basicamente sobre a realidade da guerra, as diferenças culturais para africanos que mudaram para os Estados Unidos, e as idiossincrasias do povo nigeriano.

Traz aqueles relatos que podiam ser a sua história, ou a do seu vizinho, não importa muito, afinal são grandes clássicos, ternos, atemporais e tem aquele toque de denúncia contra a injustiça.

Ela ousa em se colocar no lugar de tipos variados e, por isso mesmo, cada conto traz um universo novo aos nossos olhos.

Encontrei ecos no livros de contos da também incrível Jhumpa Lahiri com o seu Intérprete de Males , também indicação da TAG Livros.

Ambos trazem aquele sentimento de inadequação dos que saem de seu país e se inserem em um mundo totalmente novo, culturalmente falando.

As lições de generosidade, caráter e humildade estão presentes em cada conto.

Ler novos autores, especialmente mulheres de países como a Nigéria e a Índia, é essencial para fugirmos do padrão comum de pensamento.

Feminismo é isso também, é se abrir para o novo, sem medo. E mais do que exigir respeito, o feminismo da autora está implícito em palavras agridoces de homens e mulheres que sofrem o cotidiano da intolerância e do desrespeito.

Chimamanda salta no precipício e nos delicia com vivências tão superiores aos nossos pré-conceitos sobre os africanos que nem sei.

Sei que lerei mais desta autora, afinal, essas novas autoras nos ensinam a sair da zona de conforto. A sair daquele estado de “já sei o final da história”, por isso adorei o livro.

Viver é isso, sair da caixinha dos medos.

Nota 5!