Arthur Conan Doyle

Tradução: Louisa Ibánez, Branca de Villa-Flor, Edna Jansen de Mello

Editora HarperCollins Brasil

Rio de Janeiro/RJ  – 2016 – 1ª Edição

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Há muitos anos era meu sonho comprar esta coleção. Aí, no ano passado, assisti o seriado Sherlock da BBC de Londres da qual já falei aqui. E aí enlouqueci mais ainda.

Bom, este é o primeiro de quatro livros que vieram em um box, com capa dura e tals. Lindos! Mas só consegui ler o primeiro até agora.

É difícil ler este livro porque temos tantas referencias de tantos sherlocks e watsons de filmes e seriados e desenhos animados que nem sei.

A primeira coisa a fazer é limpar a mente para realmente ler o livro e entrar no clima de uma Inglaterra de fins do século XIX, uma Londres já poluída pelas industrias, com as ruas cheias de gente mas com carruagens e cavalos. Mais complexo ainda é ler as descrições que Watson faz de Sherlock e dos lugares e não comparar com o que já se viu.

Mas aí consegui ver porque o seriado citado acima é tão elogiado pelos fãs. Realmente, os atores e as atualizações estão tão de acordo com o livro que fica fácil imaginar Benedict Cumberbatch no lugar do arrogante e também charmoso Sr. Holmes. Martin Freeman também se coloca tão bem na pele de Watson que nem sei.

Este primeiro livro tem duas histórias: Um Estudo em Vermelho e O Sinal dos Quatro, além de uma série de contos: As Aventuras de Sherlock Holmes.

O livro é ágil, e as descrições não são assustadoramente extensas como a maioria dos livros deste período, lembrando que, na mesma época, temos Machado de Assis escrevendo os nossos clássicos realistas aqui no Brasil. Tudo bem, Machado morreu bem antes, mas enfim.

O que fiquei meio impressionada e dificultou minha leitura inicialmente.

Por ver tantas similaridades com o seriado, fui na onda e fiquei esperando as explicações tão acuradas do detetive. Também fiquei buscando aqueles comentários irônicos e ao mesmo tempo divertidos.

Eles estão lá, mas não tão óbvios, pois afinal, século XIX, etc etc.

Outra coisa, penso que os filmes tentam facilitar para os pobres expectadores, e que nada sabem de escrita de suspense, assim todas as análises de Sherlock, vão aparecendo com imagens rápidas e fáceis de entender.

No livro não é bem assim, especialmente a primeira estória (Um Estudo em Vermelho). Lembrando aqui que, quem conta tudo é nosso amigo Dr. Watson, portanto as descrições são dele.

Nesta primeira imersão ao mundo do detetive, temos os dois se conhecendo, o crime e a solução, e corte! Começa uma nova história nada a ver com Sherlock, com personagens novos e tals… Só bem depois, entendemos que é o começo do porquê do crime. Aí entendi como tudo funciona: Sherlock aparece e some sem grandes explicações para Watson, desvenda o crime, prende o assassino. Aí a história retrocede e ficamos em suspense tentando entender como Sherlock descobriu tudo tão rápido. Todo o desenrolar dos personagens que levam ao crime acontece, até chegarmos novamente a Watson e Sherlock, para só então nosso querido gênio explicar para um Watson pasmo, tudo o que estava evidente mas ninguém percebeu.

O mais bacana de ler o livro, é justamente esse olhar pericial do detetive. Suas análises tão acuradas, e sua facilidade em enxergar o obvio. Por isso esta atração por estórias tantas vezes revisitadas pelo cinema e tv.

Pensando que hoje temos testes de dna, analises clinicas, de pisadas, galhos quebrados, sangue, tecidos e etc, em qualquer investigação feita com um pouco de cuidado… Nosso Sherlock já fazia tudo isso em 1880. Rs. Sem o dna….

E se hoje assistimos seriados como Criminal Minds, House e tantos outros de suspense e resolução de crimes, devemos ao sempre reverenciado Sherlock.

Leiam, vale a pena entrar no mundo das letras e criar o seu próprio detetive sem as referencias e olhares pasteurizados pelos diretores contemporâneos.

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