L. Frank Baum

Ilustrações exclusivas de W.W. Denslow

Tradução: Sérgio Flaksman

Editora Zahar

Rio de Janeiro/RJ  – 2013 – 1ª Edição

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Achei esta edição em um passeio pela Livraria Cultura, e descobri que foi uma proposta da Editora de lançar clássicos infantis em edições de bolso e de luxo.

Tem também Alice no País das Maravilhas e os Contos dos Irmãos Grimm. Esta edição tem capa dura, com ilustrações originais ao longo da história. E achei muito interessante a apresentação do livro, contando um pouquinho da história pessoal do autor assim como a origem do livro.

Pai de família norte americano, achava as histórias da Alice muito absurdas, e as dos Irmãos Grimm muito violentas, por isso contava histórias que ia inventando na hora para os filhos, com o mesmo ritmo de Alice, porém sem as lições cruéis dos Grimm.

Interessante se pensarmos nas culturas em que estes livros estão inseridos… Os irmãos Grimm são originalmente da região onde hoje é a Alemanha, e são compilações de histórias medievais, contadas especificamente para educar e orientar as crianças sobre os perigos da vida. Uma tradição oral, que foi se perdendo ao longo dos séculos, mas que tiveram um reboot com os filmes da Disney.

Filmes que alteram um tantinho o conto para ficar mais fácil de digerir nestes tempos modernos, com limitações judiciais de faixas etárias e tudo e tal. Mas pensando bem, uma menina bonita, que a madrasta manda matar, foge para a floresta, vai morar com 7 homens, tá, são anões, mas enfim. Aí ela é envenenada, não enterram, mas colocam na floresta, vem o moço, beija e ela acorda e vive feliz pra sempre. Posso identificar várias patologias aí, mas quem não gosta da Branca de Neve e os Sete anões?

Alice no País das Maravilhas é uma loucura psicodélica cheia de nuances pesadas, diluídas também pela Disney. Isso sem falar das fotos que o autor tirou da menina Alice – inspiração para o livro. Fotos indicativas de um comportamento pedófilo talvez… Mas estamos em finais de séc. XIX na Inglaterra, e muitas coisas eram permitidas, inclusive o uso de cocaína para fins medicinais. Sei… Lembrando que nesta época, a Inglaterra vivia o auge da Revolução Industrial, mudando status, modo de viver, e hábitos até então imutáveis, transformando o mundo com os produtos industrializados.

E nossa infância acaba assim, não é não?

Acho que, por isso, neste clássico norte americano, seguindo o estilo do país, os personagens vão lá e fazem. Ponto! Tem um problema, a solução é esta. Está na cara.

As situações podem ser absurdas em um primeiro momento, porém se olharmos com calma, até que não. São eventos básicos que alimentam a imaginação das crianças ao mesmo tempo em que ensinam. Com mensagens nem tão subliminares assim, Dorothy, o homem de lata, o espantalho e o leão covarde vão passando por problemas e nos mostrando qual a moral disso tudo.

Assisti o filme há muitos anos, então não lembrava muito dos detalhes da história, obviamente o rosto delicado e as tranças de Judy Garland ficaram na minha cabeça, tanto quando o vestido azul e a frase final: Não há lugar melhor do que a nossa casa.

Fora isso, penso que o livro surpreende muito mais do que o filme, pela simplicidade e clareza de idéias. Pela forma sutil em que o autor vai apresentação as fraquezas e também as qualidades dos amigos da menina perdida em Oz.

Vale muito a pena transmitir esta estória clássica para as crianças. Recomendo para os papais e mamães.

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