Rosa Montero

Tradução: Paulina Wacht, Ari Roitman

Editora Harper Collins Brasil

Rio de Janeiro/RJ  – 2016 – 2ª Edição

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Mais uma louca para esta semana, mas como a autora coloca, esta louca é a imaginação.

O livro da jornalista e escritora espanhola utiliza a metalinguagem como pressuposto, técnica da qual já falei em outro momento, trata-se de um livro que fala da arte de escrever.

Assim, em paralelo a uma estória ficcional, a autora vai nos brindando com fatos autobiográficos e também históricos sobre autores famosos, de Tolstói a Cervantes.

Vamos tendo uma visão mais intimista sobre estes grandes nomes, homens e mulheres que tinham e tem essa necessidade absurda de compartilhar algo que estava ali no entorno e dentro deles.

Rosa Montero falou com minha alma, não posso negar. Muitas das alusões a sentimentos ou modos de escrever foram diretamente relacionados com a minha forma de escrever ou pensar.

Também eu vivo criando estórias em minha cabeça, no caminho para o trabalho, ouvindo música ou mesmo após apagar as luzes e decidir dormir.

Às vezes, a imaginação, esta louca visionária, não me deixa dormir, enquanto vou na sua onda alucinada por outras paragens.

Mas o livro, que é curtinho e tem apenas 176 páginas, se revelou uma leitura árdua, talvez pela quantidade de informações, talvez pelo assunto denso e intenso.

Ah! Esqueci de dizer, esta é uma edição que comprei pela TAG Livros, de outubro de 2016, aproveitando a promoção que fizeram pelos 03 anos da empreitada deste círculo de livros contemporâneo.

Junto com o box e o marcador exclusivos, vieram também a revista e um case para livros muito bacana com uma ilustração linda.

Confesso que uso o case para minha maquina fotográfica… :).

Dentro desta proposta da semana sobre mulheres, considero o que a autora pontua sobre as escritoras mulheres: quando um homem escreve um livro sobre homens, consideram um livro sobre a humanidade. Quando uma mulher escreve um livro sobre mulheres, temos um livro sobre mulherzinhas.

E ela pontua: a escrita não tem gênero, o que é um fato. Uma mulher pode escrever como um homem, sim! Porém quem perde somos todos nós, os leitores. Pois o universo feminino, cheio de meandros e dores e alegrias, fica escondido nesta proposta da escrita de “mulher”, enquanto adjetivo pejorativo, minimizador de sua importância, de seu status de “ser humano pensante”.

Neste sentido, sou absolutamente feminista e feminina. A busca da própria voz, da importância no mundo e, principalmente, a busca do companheirismo entre mulheres. Este último tão difícil de encontrar.

O que nos falta, neste mundo com mais de 7 bilhões de pessoas, com a maioria feminina é justamente a empatia conosco. Por que valorizar tanto o mundo masculino quando o universo feminino tem tanto a oferecer?

Mas enfim, porque nós mulheres não valorizamos a escrita, o pensamento e a criatividade feminina. Porque poucas buscam e tem coragem de fazer valer a própria voz.

Muitos dos questionamentos e pensamentos da autora encontram eco em meus sentimentos também. Também eu busco meu lugar no mundo da escrita.

Ainda sem coragem de dar voz aos muitos personagens que vivem dentro de mim. Às muitas histórias que vivencio sozinha, enquanto caminho pela cidade.

Este livro cala fundo naqueles que amam a leitura, e este universo da humanidade que precisa falar e escrever e colocar para o mundo tudo o que tem dentro de si.

Se vale a pena? Tudo vale a pena, mas apenas quando a alma não é pequena. 😉

 

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