Tati Bernardi

Editora Companhia das Letras

São Paulo/SP  – 2016 – 1ª Edição

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Quem não conhece alguma frase da Tati Bernardi? Mesmo que não seja dela.. 🙂

A moça é conhecida pelos sitcoms e novelas globais, pela forte carga irônica e avessa a modismos, frases de efeito, usualmente falando do universo feminino e suas muitas idiossincrasias.

Por isso, comprar esse livro nos faz pensar: cara, deve ter um monte de coisas engraçadas, e vou me divertir a valer.

Só que não! Péra. Jura?

O livro autobiográfico fala do problema da autora com a ansiedade e os transtornos advindos deste mal contemporâneo. E, sim, tem seus momentos engraçados, porque o ser ansioso é engraçado, tanto quanto o ser mal-humorado.

Mas, mais do que buscar o cenário tragicômico desta doença mental que afeta uma boa parte da população, a autora mostra a real sobre a síndrome do panico e suas consequências.

Para quem já conviveu ou viveu as situações apresentadas, ler o livro de Tati Bernardi é revisitar situações meio desagradáveis e, ao mesmo tempo, essenciais para entendimento da vida contemporânea.

O medo de vomitar, o medo de chegar na festa e não conhecer ninguém, o medo de não ser amada. O medo de avião. As muletas em forma de remédios tarja-preta ou piadas mais ou menos.

Os relacionamentos disfuncionais, e os micos pagos. Tanto quanto as oportunidades perdidas: não vou porque tenho medo e pronto. Não vou. Mas queria tanto, mas e o medo? E se eu passar mal? E se eu me perder? E se?

Mesmo que você nunca tenha passado por isso, vale a leitura para apreender e ter empatia com quem vive os dramas do pânico.

Tati não esconde e é quase escatológica em suas descrições dos problemas e dilemas pelos quais passou na sua tentativa de fazer sucesso como escritora e roteirista.

Também é bacana o encerramento do livro, a liberdade com que a autora se posiciona em relação a um problema grave e também um tanto ignorado.

Ainda hoje, encaramos a síndrome do pânico, a depressão, e os problemas mentais como frescuras de quem não tem o que fazer.

Gente mimada e pitizenta que precisa mais é trabalhar. Só que não.

No mundo atual, com todas as cobranças e competições, essas doenças são cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Aprender como lidar com isso é nossa grande lição.

Leia! Aprenda! Tenha empatia.

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