Marcelo Rubens Paiva

Editora Alfaguara

Rio de Janeiro/RJ  – 2016 – 1ª Edição – 3ª Reimpressão

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Fazia tempo que queria comprar esta edição da Tag Livros, de dezembro de 2016, mas só porque o brinde trazia as letrinhas da TAG em impressão 3D. 🙂

Também fazia tempo que não lia algo deste autor. Na verdade, nunca li Feliz Ano Velho. É, me matem.

Mas li Blecaute, que é sensacional e marcou minha mente com algumas imagens, que até hoje rondam meu pensamento.

Enfim, li também em dois ou três dias. Leitura ao mesmo tempo fácil e difícil.

Explico: Marcelo descobre que a mãe tem a torturante Alzheimer e, para que a história desta mulher não se perca, decide revisitar o passado e contar não apenas da mãe, mas do desaparecimento do pai. Da luta para enfrentar sua ausência, e seu não-luto.

Lembrando aqui que o autor se recusou a falar deste assunto por achar que esta questão do pai não podia determinar sua vida. Daí o silencio de anos.

Somente no governo de Fernando Henrique Cardoso, houve um decreto assumindo e decretando a morte dos desaparecidos durante a Ditadura Militar no Brasil.

Então há uma mistura de lembranças, fatos históricos, e um pouco das divagações do autor a respeito do que se lembra, do que viu, de como era o país, e as coisas todas.

E das possibilidades sobre o que, de fato, aconteceu com seu pai.

É forte e dolorido, mas não a ponto de abandonarmos a leitura, pelo contrário. Tudo flui com muita rapidez, e só queremos entender como essa mulher forte e decidida chegou a formar os filhos, se tornar advogada, defender os índios e seu patrimônio. Enfrentar o acidente que deixou seu único filho homem numa cadeira de rodas.

Tudo isso sem saber do marido, se morto, onde está o corpo, se vivo, onde está?

Melhor dizendo, não havia ilusões sobre sua sobrevivência às torturas dos monstros que detinham o poder na época. Mas também, ninguém a chamava de viúva, os bens da família, interditados.

Enfim, um livro necessário neste momento da história do país.

Não vamos nos iludir, há muito de conteúdo esquerdista no livro, mas devemos nos abster de escolhas políticas, temos mais é que entender o que aconteceu com as pessoas naquela época.

Para não permitir que aconteça novamente.

A história costuma se repetir para aqueles que fazem questão de não lembrar, ou não acreditar.

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