Filme da Netflix

Direção de Bong Joon Ho

okja.jpg

Com os talentosos Tilda Swinton, Jack Gyllenhaal, Seo-Hyun Ahn (a menina amiga do porco), Paul Dano, Lily Collins e outros…

Uma produção que chegou este mês e mostrou a que veio.

Achei que fosse mais um daqueles filmes a la Disney, onde a menininha tem o porco de estimação e tudo e tal… A gente chora um pouquinho, mais fábula do que qualquer outra coisa.

Mas…

Bom, o filme começa acelerado pacas, com uma proposta forte da CEO da empresa – Tilda Swinton – tudo muito rápido e tecnológico, falando de sustentabilidade, fome no mundo e alimentos transgênicos – tópicos importantes e super atuais.

Sinopse: Esta empresa apresenta um novo animal – um super porco – que seria uma nova raça descoberta no Chile, e 26 destes novos animais são distribuídos pelo mundo para uma competição. Em 10 anos – isso mesmo – ganhará o melhor e maior super porco.

Tudo é tão rápido que, quando entra em cena a menina e a frase flutuando na tela – 10 anos depois – a gente demora um pouco para ajustar o pensamento. Calma, que aí temos uma fotografia lindíssima do interior da Coreia, e a menina interagindo com o bichão, um cachorro-porco-hipopótamo inteligente e amoroso, aliás, o bichão é fêmea, Okja.

Aí temos uns momentos escatológicos, umas babas aqui, umas bostas ali… Eca.

Tudo isso, e eu ainda na onda filminho-fábula-com-uma-moral-simpática-pras-criancinhas assistirem. Aí começa a bagaça…

Primeiro: a menina mora com o avô e esse avô bonitinho, senhorzinho, velhinho, já mostra que pensa mais na grana do que tudo. Pelo bem da menina, maaaas, os fins justificam os meios, sabe?

Segundo, que os demais atores vem numa roupagem super bacana, bem caricatos mas ao mesmo tempo verossímeis, e a gente fica naquela: esse filme é bobinho ou a bobinha sou eu?

Aí sim, começa a perseguição. Levam o porco para Nova York, e a menina parte numa busca enlouquecida para resgatar sua amiga de infância.

Em nenhum momento, o diretor deixa o aspecto “entretenimento” de lado, então temos excelentes cenas de perseguição, reviravoltas, bonzinhos nem tão bonzinhos, vilões meio perdidos e tudo o mais.

Porém a história vai nos levando para uma visão e análise do mundo corporativo contemporâneo e tudo o que move o mundo e do qual o grande público só vê as propagandas e o produto final.

Os diálogos ácidos da CEO e seus empregados mostram exatamente o que ninguém mais quer ver. Em oposição a isso, temos uma Ong que batalha contra a crueldade com animais, e a menina, representando o amor e a doçura, mesmo que com armas.

A fábula é então para adultos. E o diretor não deixa de mostrar aquelas verdades difíceis de engolir.

Um filme fofo, só que não.

Para pensar. E também para agir.

Ah! Os efeitos especiais são excelentes e a menina maravilhosa!

Anúncios