Ruy Castro

Projeto Gráfico: Hélio de Almeida

Editora Companhia das Letras

São Paulo/SP  – 2016 – 1ª Edição

DSCN1474

Está com um valor muito bom na Livraria Saraiva.

Neste livro, Ruy Castro se propõe a contar o máximo que pode sobre o samba-canção e seus cantores, compositores e todos os que ajudaram este estilo a se firmar no cancioneiro nacional.

E é assim que ele vai nos apresentando o Rio e seus bares, praias e figurinhas que ficaram bem conhecidas. Se você já leu Carmem – biografia do mesmo autor, ou mesmo Chega de Saudade, vai revisitar locais e quase que consegue ver os personagens transitando e interagindo entre si.

Mas aqui o foco está nas décadas de 40, 50 e 60, após Carmem, antes da bossa-nova. O título remete a Dolores Duran, compositora e cantora deste clássico, porém não é com ela (nem a moça, nem a música) que Ruy vai traçando as curvas do Rio de Janeiro.

Ele começa antes, em fins de década de 30, e nos explica como surgiu uma legião de músicos e cantores e compositores, todos aptos para suprir os palcos dos cassinos brasileiros. E sim, para onde foi esse pessoal depois da proibição da jogatina.

Justamente para os clubes e boates, regadas a uísque e boa música.

As noitadas dos cariocas tinham bons músicos, excelentes cantores e cantoras, e excepcionais compositores.

O lance é que o livro deve ser lido e acompanhado de um radinho bão, conectado à internet para se ouvir as músicas que são apresentadas. Deve-se entrar no clima, para que possamos entender as fofocas e o que movia o mundo dessas vozes poderosas.

Há um bom tanto de história, afinal o Rio era a capital do país e por ali passavam políticos, chefes de estados e demais celebridades da época. Milionários também tem seu destaque.

As fotos nos atualizam das carinhas destas pessoas de quem nem ouvimos falar mais, salvo raras exceções. E são fotos primorosas.

Tem uns mapinhas para nos atualizar de onde eram as baladas cariocas da época. Tudo pra gente não se perder.

Mas o mais bacana mesmo, é a história das músicas, o contexto, as interpretações, os romances e tudo o que envolvia estas pessoas que eram ouvidas nas rádios da época. E tinham suas estampas impressas nas revistas cobiçadas pelas mocinhas do Brasil.

Ao fazer esta viagem no tempo, o autor não se perturba com o lado negro e os pitis das estrelas, em ascensão ou não. Para entender a biografia de Elis Regina (da qual falei aqui), por exemplo, tem que se ler e entender da cultura musical em que ela estava inserida, e estamos falando justamente desta época.

Afinal, inúmeras vezes Ângela Maria foi citada como referencia para Elis.

Sim, estamos falando de cantoras, aquelas do rádio, que fizeram história e merecem ser reverenciadas sempre.

Ruy Castro faz exatamente isso neste livro delicioso de se ler.

Para apreciar sem moderação.

Anúncios