Ana Maria Machado

Editora Objetiva

Rio de Janeiro/RJ  – 2011 – 3ª Edição

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Numa pesquisa rápida, o lugar mais barato desta capa é na Livraria da Folha, mas tem outras versões mais baratas deste livro. É só dar uma conferida no Buscapé.

Este livro ganhou o Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, na categoria melhor romance, em 1999. Porque a gente tem que prestigiar a literatura nacional também!

Além disso, a autora faz parte da Academia Brasileira de Letras, e é fera em literatura infanto-juvenil, com livros conhecidos como Bisa Bia, Bisa Bel, O Mistério da Ilha e Quem manda na minha boca, sou eu!.

Vamos ao livro, que já começa no meio de um diálogo em primeira pessoa e a gente fica com cara de ué! Sim, estamos tão acostumados a prefácios e longas descrições antes de tudo, que começar assim dá nervoso.

A própria autora, num recurso de escrita muito bacana, se dirige ao leitor no segundo capítulo, falando justamente deste início intenso onde, aliás, conhecemos os personagens principais, Virgílio e Bia. Ainda no mesmo capítulo 2, a autora muda mais uma vez a forma de narrar a estória, escrevendo como uma novela. Ou seja, temos uma descrição inicial do local onde os personagens estão, e na sequencia o diálogo, assim:

Virgílio: Oi tudo bem?

Bia: Tudo bem e você?

Bom, o livro em si utiliza um recurso de metalinguagem, pois o diálogo inicial trata de um núcleo de produção de uma minissérie histórica para TV. Ou seja, temos vários elementos bacanas tanto para quem gosta de ler, quanto para quem gosta de escrever.

Além disso, temos a história propriamente dita: Virgílio é arquiteto mas atua como cozinheiro e dono de restaurante, Bia é jornalista e escreve livros sobre as viagens que faz. Os dois se conhecem, se interessam e iniciam um romance.

Ah! Tudo isso é spoiler. Vai por mim, não é! Todo o charme do livro está em um caderno de receitas pertencente à família de Virgílio, e que ele repassa para Bia descobrir o mistério existente ali, em meio às receitas de família.

O grande lance do livro é que a narrativa vai se alternando entre Virgílio, Bia e suas vidas desconexas, seus anseios e problemas cotidianos, ao mesmo tempo em que Bia vai entrando na história da dona do diário – sendo que o início data de 1857.

E aí sim, temos uma história bacana pacas. É sobre a vida da menina que vai aprendendo a cozinhar, bordar e também relatar o romance com o futuro marido. Também temos o cotidiano da moça, assim como seus dramas com o ciúmes doentio do marido e tudo o mais.

Ou seja, temos a história da minissérie, do casal e da dona do caderno de receitas, todos entrelaçados e numa cadencia própria.

O final é surpreendente e enternecedor.

A autora nos pega em nossos conhecimentos da literatura brasileira, e no amor por romances e suspenses.

Não só recomendo como afirmo, livro fundamental da literatura nacional contemporânea! Leia!

Simples assim: leia!