E Outras Histórias

Angela Carter

Tradução: Adriana Lisboa   /   Ilustrações: Carla Barth

Editora Dublinense

Porto Alegre/RS  – 2017 – 1ª Edição

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Sobre contos de fadas, neste caso teoricamente, para adultos.

Vou falar que tive minhas dúvidas sobre ler a edição de março da Tag Livros.

Mas como já recebi a de abril e a de maio, resolvi agilizar.

Quanto à caixinha: veio o livro, o marcador exclusivo e o box, como sempre. A revista explicando, ok! E o presente: três marcadores tipo imã, com a representação de personagens do livro. Tudo bem, marcadores nunca são demais.

Como é março – mês das mulheres – e a curadora é a Marina Colasanti, temos uma temática feminista. O que foi outra coisa que me deu preguiça também. A autora – Angela Carter – foi uma feminista ferrenha.

Veja bem, sou totalmente feminista quando a conversa é sobre equilíbrio e justiça, mas atualmente as pessoas estão muito passionais, então não temos nada disso, mas acusações e xingamentos de todos os lados. Isso é chato e cansativo.

Por isso hesitei em começar a ler o livro, mas peguei o touro pelos chifres e li. 🙂

Foi surpreendente pois não foi exatamente o que eu esperava, a autora se utiliza de contos de fadas bem conhecidos e ajusta a narrativa para o ponto de vista feminino, e traz muita simbologia.

O conto que dá nome ao livro é do Barba Azul, aquele que mata às esposas, se casa com uma novinha, dá a ela as chaves do castelo, avisa que um comodo especifico é proibido e sai pra viajar. Obviamente a noivinha curiosa vai ver o que há neste quarto proibido e lá estão os corpos das esposas anteriores.

A autora conta tudo isso mas como é da perspectiva da noivinha temos uma visão mais complexa de tudo. A narrativa é de suspense, e temos o acréscimo da sexualidade, não explícita, mas está ali. A menina deseja o marido, mesmo achando o moço esquisito. E depois do sexo, ela quer mais, mas também tem um certo asco do rapaz.

O que a autora muda é o final, onde a mocinha não é salva pelo príncipe lindo e perfeito, mas por ela mesma e pela mãe. E é assim que Angela dá seu toque final. Os contos trazem as mulheres como participantes ativas do processo de libertação.

Os demais contos: três versões da Bela e a Fera, Gatos de Botas, o Rei dos Elfos, Branca de Neve e também outras versões para Chapeuzinho Vermelho, são mais curtinhos e objetivos.

Porém continuam nos trazendo a mulher como determinante da saga, decidindo de forma bastante objetiva e sexual. Há também um elemento animal, em um dos contos da Bela, esta se transforma em fera ao final, se tornando o par ideal para a Fera.

Enfim, não é um livro fácil, porque trata de histórias que fazem parte da nossa infância, e são desconstruídas, tudo aquilo que já sabemos é desfeito para repensarmos. As simbologias também são fortes e nem sempre claras.

Sinceramente? Não foi dos melhores livros que li. E olha que já li livros ótimos sobre contos de fadas. Mas este não foi daqueles espetáculos não.

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