Dinah Jefferies

Tradução: Alexandre Boide

Editora Paralela

São Paulo/SP – 2017 – 1ª Edição

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Comprei este livro por causa da capa, claro! E também porque está na capa lá em cima, best-seller n. 1 na Inglaterra, ou seja, com grandes chances de se tornar filme.

O romance é de época e nos traz uma visão bem típica da cultura inglesa, no caso, a ocupação do Ceilão – atual Sri Lanka, onde os ingleses tinham suas fazendas de chá. Esse elemento fundamental da gastronomia inglesa.

Por se tratar de um romance de época temos vários pontos sobre a colonização do país, a forma que os colonos eram tratados, o funcionamento da economia e da política, e a convivência entre ingleses e colonos. O romance se passa entre os anos de 1925 e 1933, sendo assim, temos o boom da economia norte-americana, relatos sobre a I Guerra Mundial e suas consequências, assim como a Quebra da Bolsa de New York de 1929, e como todos estes fatores influenciam os personagens do livro.  Já no final do livro também temos uma breve citação da Alemanha e do caos econômico, assim como o inicio da ascensão de Hitler.

Todos estes fatos são pano de fundo para a história de  Gwendolyn Hooper que, com apenas 19 anos, se apaixona e se casa com Lawrence, um viúvo de 37 anos, dono de fazendas de chá no Ceilão.

Gwen é linda, doce e inocente. De uma época em que as mulheres não tinham dúvidas, o seu lugar era ao lado do marido mesmo que fosse do outro lado do mundo, distante de tudo e de todos.

Todo o romance é escrito do ponto de vista dela, que chega ao país ainda insegura e apaixonada. E, conforme é apresentada ao círculo de conhecidos do marido, vai mergulhando em um mundo cheio de segredos e dilemas, aos quais ela não está acostumada.

Temos um artista que a ajuda na chegada mas de quem o marido não gosta. A dona do Banco, que foi amante do marido e fica provocando a moça o tempo todo. A cunhada manipuladora e difícil. Os empregados da casa em quem todos dizem que ela não pode confiar. O sócio do marido, um homem seco e cruel.

Além disso, temos o marido, muito apaixonado, mas ao mesmo tempo, distante, cheio de segredos.

Todas as pessoas com quem Gwen se relaciona acabam por deixa-la insegura e cheia de suspeitas, duvidando do amor do marido, que não fala das condições da morte da primeira mulher. Temos também a prima de Gwen, uma moça que perdeu a família, tem muito dinheiro e vive uma vida livre. E tenta ajudar Gwen mas não consegue.

Esses elementos criam um clima de suspense e a gente duvida de todos ao redor da protagonista. Confesso que estava quase perdendo a paciência com o livro, apesar de bem escrito e com a leitura ágil.

Mas aí Gwen engravida, aparentemente de gêmeos, e tudo fica mais leve. Só que temos mais uma reviravolta e Gwen, para proteger a vida que tem, assim como a felicidade do marido, comete um grande erro. E tudo começa a complicar, pois agora ela também tem um segredo horrível para esconder de todos.

Aí sim o clima de suspense se torna insuportável e tudo o que a gente quer é chegar ao final e descobrir o que vai acontecer com a pobre moça, que é tão boazinha. Mas tem que ler para descobrir, que já falei demais… 🙂

O livro é bem escrito e com descrições bacanas dos locais por onde Gwen passa, as revoltas por independência do país também são mencionadas de leve. E estas descrições quase perdem o ponto, mas cumprem seu papel de acrescentar mais dúvidas no leitor. Afinal, em quem a bela Gwen poderá confiar?

Só vou acrescentar que o final foi um tanto decepcionante, como se autora não soubesse bem o que fazer depois de criar este anticlímax tão forte. Os personagens secundários acabam perdendo sua força inicial. Mas é apenas o segundo livro desta autora, vamos dar um desconto.

Um livro bacana para virar filme. Mesmo.