Julio Maria

Editora Master Books

São Paulo/SP – 2015– 1ª Edição – 4ª Reimpressão

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Está em uma super promoção na Livraria Saraiva.

O livro é grande – 417 páginas, além da lista dos entrevistados, bibliografia e créditos das fotos.

Aliás, fotos lindas e tocantes.

O livro começa e termina com o fatídico 19 de janeiro de 1982. Como foram os minutos, quem estava lá, onde os filhos brincavam, e como os familiares e amigos ficaram sabendo da notícia. Assim como reagiram.

E no começo você sente de novo aquela tristeza. Onde mesmo eu estava naquele dia? Ah! Sim, mais ou menos, lembro que estava em Ribeirão. Havíamos mudado – familia e cuia – para Santo André (ABC Paulista) no final do ano anterior. Minha mãe já mostrava os sinais de uma depressão que se estendeu por vários anos.

Na verdade, associo o imagem de Elis a que minha mãe tinha. Era fã, ainda é. Quando soube que eu havia comprado a biografia, já avisou: – Lê rápido para eu ler também.

Era também a lembrança do único LP que tínhamos da Elis – Essa Mulher. Uma capa rosa, com o desenho de seu rosto, bem fluido. E com a musica ‘Eu hein, Rosa’. Que eu colocava o mais alto possível para cantar junto… 🙂

Enfim.

O livro é uma biografia clássica, após este pré capítulo curtinho dos envolvidos do dia de sua morte, temos a vida de Elis cronologicamente falando, alternando fatos pessoais à carreira e suas escolhas.

O autor, um fã assumido, conseguiu na maior parte do tempo manter-se isento e foi colocando os fatos e analisando as questões pessoais sem descambar para o amor apaixonado explícito.

Temos uma visão nua e crua de uma mulher com vários problemas familiares, com uma grande insegurança, uma dificuldade enorme de se manter tranquila. E, ao mesmo tempo, uma certeza assustadora do próprio talento.

Elis sabia onde queria chegar e como. Para isso, não teve dúvidas e sempre correu atrás das melhores músicas, dos melhores compositores, músicos e parceiros.

Das surpresas que tive: devido a morte precoce, antes mesmo de chegar aos 40, ficamos com aquela visão da cantora sublime que até hoje não foi retirada do posto de melhor cantora brasileira.

Aliás, algo que os músicos que trabalharam com Elis diziam: ela não era apenas a cantora, mas também um dos músicos, trabalhando a voz e o canto como um dos instrumentos, e exigindo o máximo de si e de todos os envolvidos. Elevava suas canções a um patamar que antes não existia.

Segunda surpresa: se uma música atingisse um patamar histórico ela retirava a tal música do repertório, para que nada concorresse com sua voz.

Alguns compositores tinham medo de ceder suas musicas para ela, por não conseguir superar a interpretação. Gil era desses, João Bosco não.

Ela namorou pacas, a gente sabe dos maridos, mas dos namoros? Nelson Motta, Guilherme Arantes, para citar dois. Mas foram vários.

Eu jurava que Elis e Tom Jobim eram amigos de infância, pelo talento, por causa da intimidade no clip da musica Águas de Março, e tudo o mais. Só que não. Passada.

Outra coisa que me assombrou: Elis era difícil, não apenas de temperamento, mas com problemas sérios mesmo. Uma pessoa que simplesmente não dava conta do imenso talento e sofria. Também fazia sofrer. Mas era mãe e amiga amorosa e fiel.

Aí a gente vai finalizando o livro e chegando perto do tal dia. O autor foi bem bacana, termina explicando o depois. Como cada filho viveu e onde chegou. Os ex-maridos. O parceiro de então. E a repercussão da sua música ao longo do tempo.

Também fala do musical baseado no livro.

Simples e bonito.

Livro obrigatório que li rapidinho, porque a leitura prende. Vale a pena.

E vou reler em breve porque é lindo.

É triste, mas essencial para quem gosta de música.

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