Jhumpa Lahiri

Tradução: Rafael Mantovani

Editora Globo

São Paulo/SP – 2017 – 2ª Edição

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Minha segunda experiencia com a TAG Livros e como acho que vai ser sempre: incrível.

Vamos lá: veio o livro com marcador e box exclusivos (e lindos), uma revista e o brinde, que é um conto de Nikolai Gógol.

O brinde foi escolhido porque a história d’ O Xará se relaciona intimamente com o conto e o autor russo, citado várias vezes no livro.

Além disso, por uma questão de destino – digamos – o personagem principal recebe o nome de Gógol. Isso mesmo, é o sobrenome do russo que dá nome ao americano, filho de indianos. UFA!

A autora, também descendente de indianos, ganhou prêmios e tudo e tal. Então não é mais um romance basiquinho, é um livro para se guardar. E nem estou falando da edição exclusiva para a TAG com dedicatória da autora para os associados :O

Vamos ao livro: conta a vida de Gógol desde antes de nascer.

Na verdade, começa com a sua mãe casando, e indo parar nos EUA devido ao doutorado que o pai está defendendo. Isso em 1968.

Temos um contato maior com a cultura indiana, e de uma forma bastante cotidiana. Costumes do casamento, alimentação, a visão que os indianos tem dos demais, as escolhas e atitudes. Sim, de uma força e de uma simplicidade extremas.

A autora vai nos levando pela vida dos personagens de forma tranquila e segura.

Não há grandes estardalhaços mas também não é uma vida fácil. Logo Gógol nasce, e vamos entendendo a vida e a personalidade deste garotinho que não consegue encontrar seu lugar no mundo. Em alguns momentos, a autora pula vários anos para a narrativa ficar dinâmica. Aí você pensa, livrinho chato… Não achei não.

Li em 3 ou 4 dias, no máximo. A leitura flui e a curiosidade sobre os dramas existenciais e cotidianos de Gógol e sua família são até mesmo constrangedores. Do tipo: eu também tive vergonha da minha família na adolescência. E no meu caso, também sofri com o nome – curiosamente também russo.

Então tive grande empatia pelo garoto. Também eu mudei de cidade aos 11 anos, do interior para Sampa, e a estranheza de hábitos e cultura até hoje estão em meu sangue e no meu modo de ser.

Sei o que é ser diferente em termos de religião – minha família não é católica. Hoje é super normal. Há 25 anos não era, não. Explicar que eu não fazia ideia de como se rezava era algo meio tenso.

Talvez por isso, hoje eu não me sinta nem de Ribs – minha cidade natal, nem de Sampa. Aqui em Sampa ainda conservo hábitos interioranos, sempre me surpreendendo com a grandiosidade da metrópole.

E em Ribs, estranho as conversas, a visão mais simples e descomplicada, e o ritmo um tanto mais lento … Mesmo em termos culturais, às vezes, me sinto um ET.

Tal como Gógol, vou fazendo escolhas, às vezes equivocadas. Mas ainda me mantendo próxima da família, da base que me sustenta. Até mesmo quando tudo o que se quer é o oposto do ambiente familiar.

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