Hayden Herrera

Tradução: Renato Marques

Editora Globo S.A.

São Paulo/SP – 1ª Edição – 6ª Reimpressão

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Ganhei este livro no meu aniversário, em final de agosto, mas só peguei pra ler em novembro. E demorei mais de dois meses para finalizá-lo.

Um livro difícil, com muito conteúdo, e uma historia ainda mais difícil.

Falar de Frida é falar de cultura pop. Seu rosto estampa camisetas, canecas e posteres.

Seus quadros e fotos são reproduzidos a exaustão, e a eterna discussão se ela era linda ou feia permeia as conversas eventuais.

Frida virou ícone e ninguém quer saber de fato, quem foi ou o que fez, mais ou menos como Einstein ou Michael Jackson. O que importa é a imagem e o que faz cada um sentir. Mas não é pra isso que serve a arte, afinal de contas.

O livro, por outro lado, disseca não apenas a vida de Frida, mas também seus quadros, sua dor, suas paixões.

Cada auto-retrato é explicado e nos coloca a dimensão desta mulher, que tinha tanto para viver, mas por conta de doenças e de um acidente horripilante, tinha um corpo que não podia acompanhá-la.

Lembrou-me um pouco de Cazuza, o poeta que conheci mais de perto. Calma, só porque fui adolescente no auge de sua fama, portanto acompanhei pelo radio/tv e afins seu sucesso e seus dramas, em tempo quase real.

Frida teve uma vida dura, cruel, permeada de perdas e dor. Dor física constante, pois o acidente sofrido na adolescência deixou sequelas para a vida toda, bem curta, já que faleceu aos 47 anos de idade.

Assim, a autora vai nos presenteando com a vida de Frida quase cronologicamente, e também analisando os quadros (a maioria dos quadros ou fotos estão nas ilustrações – ajuda muito).

Porque falar de Frida é falar de seus quadros, não há como dissociá-los. Penso que ela foi a primeira a fazer do selfie uma arte.

Frida podia ter sucumbido à dor e ao sofrimento, e choramingado por toda a sua vida, mas escolheu criar uma persona, e sempre se apresentando espetacularmente, conseguiu esconder aspectos de sua vida privada, a vista de todos.

Mulher emponderada, mantinha-se antenada, tinha ideias revolucionarias e um pensamento livre. Ainda assim, amava loucamente seu marido, e aceitava com tristeza, as suas traições. Também traia, com homens e mulheres. Mas nunca negava o amor incondicional pelo seu homem.

O livro nos faz amá-la, e quase compreendê-la. Quase porque os artistas são inatingíveis, graças a Deus.

Por isso o livro é difícil, temos que nos despir de pré conceitos e aceitar que esta mulher – mexicana – doente – pequena – feminina, foi mais forte e mais mulher do que podemos entender.

Sua arte mostra e oculta dores maiores que ela mesma. Se a técnica inicial é frágil, aos poucos Frida vai amadurecendo e mostrando tudo – técnica, vida e dores pessoais – verdades – mentiras – em um grande caldeirão de arte e dor.

Seu marido, um artista já famoso, não pode ser esquecido, já que permeia as escolhas de Frida em praticamente tudo que diz respeito a sua vida.

Frida o amava incondicionalmente, e era muito feminina e vaidosa. A escolha do traje típico foi uma escolha politica, enaltecendo a cultura mexicana, se colocando como uma mulher tehuana, independente e forte, mas também para esconder o defeito na perna manca.

Os muitos anéis, os penteados, e as cores transmitem a tradição da feminilidade mexicana, mas também mostram a vaidade de uma mulher que se sabe linda e charmosa, que o marido também ama. Sedutora, conduzia e manipulava os amigos que a amavam.

Segundo depoimentos de amigos e conhecidos ficamos sabendo que os pequenos “defeitos” de Frida (as sobrancelhas unidas, o buço, o pé, a coluna ‘quebrada’), trazia mais charme e verdade a sua sensualidade do que tudo. Frida era pura paixão.

Também era uma guerrilheira que defendia o comunismo abertamente, lutava contra as injustiças com os camponeses e pobres do seu país. Defendia a cultura mexicana e sua arte.

Por isso, o livro é difícil, porque precisa ser lido como se bebe um vinho precioso.

Com cuidado, apreciando cada página.

Como se deve apreciar também a arte e a vida desta mulher apaixonante.

Também é um livro para se reler, pois é muita informação para se apreender em uma unica vez. Mais ou menos como conhecer o Louvre, temos que passear por seus corredores vezes e vezes sem conta, até podermos captar um pouco de sua gradeza.

Dicas finais:

livro para crianças sobre Frida