Tem muita coisa acontecendo, muitos lugares que tenho visitado, poucos livros que tenho lido.

Mas é porque, às vezes, a gente tem que deixar a leitura de lado para poder ver o que acontece por aí.

Assim, há umas três semanas (já?) arrastei meus primos para Paranapiacaba.

Hein? Onde?

Vamos lá! Paranapiacaba é um distrito de Santo André – ABC Paulista, depois de Ribeirão Pires… Hum.

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a cidade alta e lá em cima à esquerda, a igreja matriz

Pra facilitar, olha no mapa de trens, tem a linha 10-turquesa, pois é, Paranapiacaba é depois da ultima estação. Aaaaah muito melhor assim, não? Sim? não?

Não vou me ater à historia do local, porque tem vários sites bacanas falando do assunto, e vou citar só um: sp é pequena pra caramba que fala da cidade de um jeito bem bacana, corre lá pra ler…

vou falar que já conhecia esta cidadezinha, esta vila, este ponto do espaço perdido no tempo… mas já faz tempo que fui lá. e sempre queria voltar, porque é tão bonito.

Trata-se de uma vila inglesa em um pequeno vale no topo da serra do mar – curiosidade que o nomão paranapiacaba vem do tupi – de onde se avista o mar – o que acontece somente em poucos períodos do ano, pois a região vive sob neblina forte.

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vista geral com a neblina leve em um dia lindo.

é que o nosso Barão de Mauá trouxe uma empresa inglesa para construir a ultima etapa da estrada de ferro – a descida da serra do mar – porque vamos combinar que tecnologia avançada era fazer o trem descer a serra em meados de 1800…

os ingleses, sempre muito organizados, montaram seu acampamento chamado de Vila Velha. Enquanto isso, os luso-brasileiros montaram suas casinhas na parte alta, com direito a igreja matriz e cemitério.

Depois construíram a vila martin smith. Toda a parte inglesa – vila velha e vila martin – mantem as características vitorianas, sem igrejas, todas de madeira, e pintadas da mesma cor. Um tom vermelho ferrugem?, que na verdade, era a tinta comprada em quantidade excessiva para pintura dos vagões…

A exceção fica para a casa do administrador, que é marrom, e se destaca no meio da vegetação no ponto mais alto da cidade, e chamada carinhosamente pelos moradores de castelinho, hoje transformada em museu.

Bom, bem, bom. Agora que temos um panorama geral, vamos ao que interessa.

a gente chega pela parte alta, então vê o castelinho no meio da vegetação, e a vilinha. e os montes ao redor. Mesmo em um dia lindo de final de inverno ainda dá pra ver a neblina rondando. E o vento frio que ameniza o calor do sol forte.

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castelinho (casa do administrador)

Me surpreendi com a quantidade de pessoas que estava lá. tinha bastante, o que é bem legal. Agora tem estrutura para turistas e vários restaurantes.  Para fotógrafos é uma banquete, praticamente enlouquecemos, tirando foto de tudo.

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o museu e seus galpões
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a estação ainda em uso como terminal de cargas
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muitas vistas do relógio
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mais uma do relógio

A combinação de casas antigas bem conservadas, outras em ruínas, o vento frio, a vegetação, e as ruas de pedras fazem  do ambiente algo fora do padrão. Não me lembrou lugar algum assim, único.

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foto clássica
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ao tempo
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ruínas

Dizem que nos dias de neblina é sensacional, com seu aspecto fantasmagórico. Quem sabe em uma outra feita…

As casinhas são todas mais ou menos iguais, muda o tamanho pela hierarquia do funcionário da ferrovia na época.

O que dá um dó imenso é o museu funicular, que está praticamente abandonado. Vagões antigos, até mesmo o que o Pedro II usava, estão em um galpão, sem cuidado, sem carinho. A mercê do desgaste do tempo.

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galpões e vagões

Se por um lado, os prédios com pequenas samambaias crescendo tem um apelo emocional, por outro, tem o medo de tudo se acabar muito rápido. porque ninguém cuida.

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Tudo é meio sujinho, meio abandonadinho sabe? Uma judiação.

A ferrovia ainda funciona como terminal de carga apenas. então podemos ver alguns trens passando.

Pelo pouco que sei, a Prefeitura tem tentado transformar a vila em algo mais atrativo, além do eco-turismo. Têm os restaurantes porque tinha-se a ideia de transformar Paranapiacaba em pólo gastronômico. Tem o festival de inverno com atrações muito boas.

Mas ainda é difícil, o castelinho por exemplo, tem monitores que acompanham os visitantes, explicando toda a história e curiosidades da casa, porém se mantém com o ingresso de apenas três reais.

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vista lateral do castelinho
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antiga sala de jantar – interior do castelinho

quando lembro do tanto que paguei para entrar nos museus na europa, sem dó nenhuma, fico pensando porque aqui no Brasil não podemos ganhar dinheiro também com o turismo histórico.

Tá, é uma história curtinha em comparação com os europeus, mas ainda assim poxa! Temos tantas coisas lindas para ver e aprender aqui mesmo, neste brasilzão de meu Deus…

Enfim, é um passeio que vale a pena para quem curte história, arquitetura e paisagens deste brasil multicultural.

vista geral
vista geral

Pensativamente me despeço por hoje 😉