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Margareth George

2002 – 5ª edição

tradução Jô Amado

Editora Geração Editorial

Acho que quem acompanha este blog sabe o quanto este assunto me é querido.

Maria Madalena exerce um fascínio enorme sobre mim, por uma série de fatores.

É uma apóstola importante: não só acompanhou Jesus, como esteve ao lado de Maria na crucificação, foi a primeira a vê-lo ressuscitado, teve sua contribuição no inicio da cristianização do mundo ocidental. aliás, é a mulher mais citada pelo nome na Bíblia.

Além do mais é uma mulher sem vínculos com nenhum homem, e ainda assim, uma incógnita. Foi a esposa de Jesus? Foi apenas uma apóstola? foi a prostituta a ser apedrejada que Jesus salvou? Foi a Maria que o ungiu antes da entrada triunfal em Jerusalém?

São muitas Marias no Novo testamento. além, é claro, da mãe.

aliás, em um dos livros que li, Maria era um título, que a mulher “iniciada” recebia. Achei bem mais legal…rs

bom, vamos ao livro.

é longo, mas fácil de ler. Bem didático e tranquilo, já que não fere com nenhum dos preceitos da bíblia, ou seja, em nenhum momento existe um relacionamento amoroso entre maria e jesus. pelo contrário, a relação é o tempo todo marcada como a do mestre e sua discípula.

fala bastante dos costumes judaicos, das leis e todas as necessárias obrigações que os judeus tinham que cumprir, além do domínio romano, das demais religiões, etc.

Na Bíblia, é claramente citado que Jesus salva Madalena – vide Marcos 16-9 “E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios.”

E o livro coloca o assunto de forma bastante literal, ou seja, antes de conhecer jesus, maria é possuída por demônios, a principio apenas um, depois vão chegando os demais, e aí, ela conhece jesus, ele expulsa todos,e após isso ela passa a segui-lo.

a autora também centra Maria em uma familia judaica, a moça casa, tem uma filha, e tudo e tal.

mas, penso que o livro peca em um aspecto. a figura de Jesus é colocada como a de um homem simples, nem bonito nem feio, nem tão espetacular, nem tão banal. apenas mais um entre tantos.

e porque ele chamou tanto a atenção de alguns, e ódio de outros? porque falou as coisas certas, ou erradas, na hora certa. para cumprir as profecias da vinda do messias.

aí eu fiquei… decepcionada. porque Ele nem precisava mesmo casar, apesar da cultura judaica assim o exigir, e vamos combinar, Jesus seguia de forma bem clara os costumes judeus da época.

Seus discípulos eram fracos e cheios de defeitos, isto está no livro, mas, mesmo tirando toda a aura do Messias e pensando nele como um homem qualquer. bom, mesmo assim, ele era um cara bem carismático, senão não teria mudado os rumos da cultura ocidental como mudou.

pelo menos é o que eu penso. e outra, o tempo todo tentamos mudar o mundo e rapaz!!! isso é difícil, justamente porque temos duvidas, e vamos e voltamos e tentamos, e erramos pra caramba.

acha mesmo que Jesus seria assim? pois foi assim que vi o Jesus do livro. e não concordo.

Jesus sabia muito bem o que queria e o porquê de sua vinda ao mundo. Deixou instruções claras para todos os seus discípulos. Vide a parte da santa ceia…

e se não temos um relato claro de seus dias na Terra, e se os seus discípulos não deixaram escrito exatamente o que Ele queria, ou como Ele agia, bom aí o problema é outro. Inclusive pode ter sido uma ordem expressa: não deixem nada escrito. não permitam que restos mortais, ou tecidos ou qualquer objeto seja cultuado.

Pois o novo pacto de Jesus com Deus pela Humanidade tem apenas duas exigências: amar a Deus acima de qualquer coisa e ao outro como a si mesmo.

então não tem porque ficarmos nos apegando a detalhes.

enfim.

o livro é legal pra quem quer a madalena como apenas uma mocinha simpática que seguiu jesus.

eu, obviamente esperava mais, e principalmente, esperava uma visão mais mais mais de Jesus.

paciencia, pelo menos fiquei sabendo um pouco mais da cultura judaica e de aspectos sócioculturais da época.

por hoje basta.

melancolicamente me despeço por hoje 😉