Emily Brontë

Coleção L&PM POCKET

Tradução: Guilherme da Silva da Braga

1ªedição – 2011 / reimpressão – 2013

Venho tentando ler os grandes clássicos da literatura mundial, o que não tem sido fácil.

primeiro por falta de tempo, e segundo porque não há uma ordem clara nas minhas leituras, vou lendo os clássicos conforme consigo acesso aos livros. a depender do desejo de ler também.

eu realmente adoro ler, mas não é algo que eu faça assim, na loucura, tenho que estar descansada e tranquila.

sendo assim, há períodos em que leio muito, e as vezes fico mais de mes sem ler.

não é uma competição, nem obrigação, leio pelo prazer, de ler, de conhecer, de entender.

bom, vamos ao livro.

eu diria que é bastante indigesto, demorei a terminar.

tinha vagas lembranças do filme, em uma versão antiga.

e não se engane, não se trata de um romance romantico, onde mocinho e mocinha lutam até o fim para um final feliz.

Heathcliff e Catherine são os anti-heróis. ou talvez, mais reais do que meros personagens.

resumo: heathcliff é um garotinho de rua que é levado pelo patriarca de uma família de posses, para cria-lo. O patriarca já tem dois filhos, um adolescente babaca e catherine. Se estabelece uma conexão entre o garotinho e a menina.

mas não se engane, a menina é mimada e chata. o irmão dela é mesmo um babaca, e a mãe não curte o pequeno heathcliff. Quando o patriarca morre, adivinha se não maltratam o pobre?

mas catherine sempre o apoia e tudo e tal.

porém, por um incidente, catherine se aproxima dos coleguinhas vizinhos, e heathcliff acaba indo embora.

quando volta, rico, muuuuito rico, catherine já está casada, com uma menina pequena, fica meio doida e morre.

aí heathcliff inicia sua vingança, com vários requintes de crueldade.

o bacana é que a história é contada por um terceiro, que passa pela região e acaba conhecendo as figuras.

bom, aí vem o desenrolar da trama. que termina de modo meio surpreendente – atenção! vou contar o final do livro – digamos que, nos momentos finais, depois de destruir a vida do próprio filho, e também dos filhos de catherine e do irmão dela. bom. ele começa a ver o fantasma da amada – isto só é sugerido – e aí ele fica bonzinho e morre.

as pessoas ao redor se harmonizam e tudo fica bem.

então tá!

a escrita é densa, os personagens são muito bem construídos, especialmente o casal principal. mas o clima gótico, e as vinganças meio sem propósito cansam bastante. afinal, heathcliff não tem um objetivo claro, a não ser, o de destruir as famílias que o hostilizaram.

mas este final bonitinho não combina, não condiz, penso que Emily fez uma concessão à época em que vivia, afinal no inicio do séc. XIX escreviam-se romances açucarados para as mocinhas, com homens nobres, donzelas ingênuas e finais felizes.

hum. não é bem nobreza e caráter que vemos em heathcliff e sua amada. pelo contrário, eles são maus, mimados e arrogantes. sua riqueza e seu desejo de poder e vingança não são belos, como em o Conde de Monte Cristo, por exemplo.

creio que devemos isso à vida das irmãs Brontë: eram seis irmãos, sobraram três, sendo que a mais velha, charlotte, escreveu “jane eyre”, que já li também – triste que só.

as três irmãs morreram jovens de tuberculose, provavelmente devido a situação que viveram em um colégio interno, onde foram colocadas após a morte da mãe.

ou seja, a vida das mocinhas não foi fácil, não tiveram festas e bailes e oportunidades. Vendo assim, penso que Jane Austen teve sorte. Apesar de também ter sido pobre e também morrido bem cedo. Austen teve uma família amorosa.

Charlote exorcizou seus fantasmas em Jane Eyre, que é praticamente um relato auto-biográfico, ou pelo menos, boa parte dele.

Já Emily expõe o que há de pior na humanidade, provavelmente era uma mocinha rancorosa, rs…mas isso é divagação minha.

de qualquer maneira, é um livro obrigatório, como já disse antes, os personagens principais são muito densos e “vivos”, especialmente o mocinho-vilão. mas prepare-se, não é um livro de ação onde tudo é rápido e facilmente compreensível.

é isso,

densamente me despeço por hoje 😉 🙂