A COSTUREIRA DE KHAIR KHANA
Gayle Tzemach Lemmon
Tradução: Carmen Fischer
Editora Pensamento Cultrix
2013

Comprei este livro porque tinha uma frase da Angelina Jolie na capa. Ah vá! sério?
sim, sério.
respeito muito o trabalho desta atriz linda, que nem precisava se preocupar e no entanto. vive as voltas com a luta pelos direitos dos cidadãos que vivem em áreas de conflito e sofrimento.
bom. vamos ao livro.
vale a pena ler!
serve como drama, como livro de cabeceira, como livro de empreendedorismo.
serve como filosofia.

resumo:
conta a historia de uma mocinha de vinte e poucos anos, acabando de se formar professora, que se vê responsável pela família toda em Cabul, quando os talibãs tomam conta da cidade. khair khana é um bairro de cabul.
Pai e mãe fogem para não serem presos, irmão mais velho idem.
irmã mais velha tem que cuidar da própria família, mesmo morando na mesma casa.
a mocinha Kamila tem que prover o sustento dela e de mais 7 irmãos. sendo 6 meninas. todas proibidas de sair de casa pelo talibã.
proibidas de trabalhar, de conversar e fazer negócios.
proibidas de viver.
e é isso que me irrita no mundo. o fanatismo. me irrita muito.
neste livro conseguimos visualizar claramente o que de fato aconteceu com a dominação do talibã no afeganistão.
o que aconteceu durante a ocupação das tropas norte-americanas após o 11 de setembro.
a autora: uma americana que foi lá para completar um trabalho de mestrado e entrevistou mulheres empreendedoras em zonas de guerra. e conversou, não apenas com Kamila, mas também com todas as mulheres que participaram deste processo.

Entenda o cenário: o Afeganistão era liberal com as mulheres, estas representavam mais de 30% da força de trabalho no país, trabalhavam no governo, nas escolas e lojas. tinham liberdade para usar apenas o lenço cobrindo a cabeça conforme o costume muçulmano.
e de um dia para o outro foram obrigadas, sob pena de humilhações e espancamentos, a abandonarem seus empregos, e usarem burcas, para cumprir o rigor do governo.
seus maridos, ou foram presos e mortos, ou fugiram para não morrerem.
muitas famílias morreram de fome.
o pai de Kamila, num gesto ousado, afirmou que as meninas ficariam juntas em Cabul, senão teriam que casar com amigos da familia, ou se fugissem teriam que enfrentar os perigos das estradas, e ele que queria que antes do casamento, todas estudassem.
não é lindo? o peso sobre os ombros de Kamila foi grande, mas ela não se abalou.
com medo mas firme, Kamila empreendeu uma confecção de roupas femininas, dentro dos costumes talibãs e venceu os anos da guerra. e ainda montou uma escola de costura para meninas de toda a comunidade. o que era absolutamente proibido. meninas não podiam estudar. nunca. nada.
sabe o que me impressionou mais?
ao ler o livro, eu ficava angustiada, pensando, agora ela vai ser pega. agora. não. agora.
e aí eu lembrava, por mais romanceado que tenha sido o livro, ainda assim, aquilo era verdade. tinha acontecido.
mulheres do Afeganistão tiveram que sobreviver sem seus homens, a um governo autoritário e massacrante.
tem noção que até os meninos perderam no ensino, já que as professoras foram obrigadas a parar, os profs homens não davam conta das aulas para os meninos.
absurdo.
a guerra é absurda.
e o fanatismo ainda mais. seja qual for a crença. Kamila deixa claro o tempo todo que acredita fazer o certo e que sua fé em Deus a protegerá.
vemos um lado da crença muçulmana que é lindo, um lado humano e verdadeiro, de pessoas que se ajudam e se respeitam.
uma família amorosa.
Além da própria família, Kamila ajudou muitas mulheres. e se tornou até famosa.
o livro se tornou querido para mim. um dos melhores que li.
porque fala de comunidade, de família, de fé em Deus, e de amor. amor puro e simples.
a ambição pode gerar guerras, mas o amor pela vida e pelos outros acaba com a guerra.

repito: vale a pena ler este livro.!

amorosamente me despeço.
bom domingo a todos 😉