ah! paris.
ah! o louvre.

O museu mais visitado do mundo, que abriga obras de arte que são legados à humanidade, tais como: a Monalisa de Da Vinci, a Vênus de Milo, a Vitória da Samotrácia, e sim, a maior coleção egípcia fora do Egito.
Os números do Louvre são impressionantes e, dizem que, se um visitante permanecer 30 segundos
diante de cada obra, demorará três meses inteiros para ver tudo.

O prédio foi fundado em 1190, como uma fortaleza para defender Paris dos vikings, alias, vc pode visitar as fundações do Louvre medieval, o que deixa qualquer ser sensível muito emocionado. Preciso dizer que meus olhos encheram d’água na primeira vez que estive lá?

Conforme os reis foram passando por lá, o prédio se tornou um palácio real, sendo ampliado e modernizado continuamente, obviamente dentro das modalidades da época.
e o que começou como uma fortaleza medieval tornou-se um grande complexo de salões e corredores e galerias – hoje totalmente devotado à cultura.

Ah, sim! vc pode pensar que o museu existe há pouco tempo, mas não. o próprio Luis XIV, que criou Versailles e levou sua corte para longe do fogo, digo, povo, decidiu logo no ano seguinte à mudança para o Chateau, transformar o complexo numa grande galeria de arte.

Na época, a Academia de Belas Letras, Pintura e Escultura e demais foram parar lá. Novas reformas para transformar os salões em galerias e tudo o mais.

fundações do louvre medieval

Foi em 1785, após uma exposição de muito sucesso, que o moço (Marques de Marigny) que administrava os prédios reais teve a ideia genial de transformar o Louvre em um museu permanente.
O projeto se tornou lei pelos revolucionários em 1791, principalmente com obras confiscadas das famílias reais fugidas da revolução.
e, olha que máximo, o povo tinha acesso gratuito ao museu nos finais de semana. Durante a semana somente artistas dispostos a estudar os grandes mestres tinham acesso, e isso durou até 1855.
Com o domínio de Napoleão, mais ampliações, mais obras de arte, e mais beleza ao agora chamado: Museu Napoleão.
O Museu só seria conhecido como Louvre após um grande incêndio lá pelos 1890 e poucos. Este incêndio destruiu o palácio das Tulleries e uma parte do corpo principal do complexo. Após decidirem se demoliam tudo ou reconstruíam, optou-se por reconstruir duas alas e transforma-lo no atual complexo Louvre.
E me emociona saber do esforço de alguns doidos para proteger este bem da humanidade: na II Guerra Mundial, as obras menores foram deslocadas para diversos castelos do Vale do Loire, em particular o de Chambord, que também visitei. Tudo para protege-las. As grandes obras, impossibilitadas de sair pra passear foram protegidas com sacos de areia. Não é lindo? Estes historiadores, arqueólogos, voluntários, passaram anos protegendo uma cultura que não pertencia apenas a eles… sei que devemos pensar primeiro nos seres vivos.
mas, sem cultura, o que somos nós, seres humanos ou animais?
Bom, a coleção do Louvre foi crescendo continuamente, e foi mais intensa na década de 70, levando o presidente Miterrand a lançar o projeto Grande Louvre em 1981. projeto este que visava tirar do complexo todos os serviços e secretarias que não eram destinadas à cultura. além da reforma geral dos espaços e reorganização das coleções para melhor apreciação do público.
Em 1989, I.M. Pei apresenta ao mundo seu grande projeto pronto. o que gerou grandes controvérsias.
As piramides de vidro, claro.

detalhe básico

a piramide principal foi construída para resolver o grande problema do acesso ao museu, já que a entrada original não suportava o fluxo diário de pessoas.
lendas urbanas a parte… resumindo, dizem que a piramide principal tem 666 placas de vidro – o numero da besta – só que não, cálculos rápidos de quem vê a bonita pessoalmente, chega fácil nas 673 placas. Tem também a questão da piramide ser um símbolo maçonico e Miterrand era um dos, ou não, isso importa?
e agora, por conta de um escritor que nem curto muito, ainda existe a lenda de que os restos mortais de maria madalena estão lá embaixo, diretamente abaixo da piramide invertida.
Enfim.

o que aprendi na faculdade é que a piramide foi escolhida como símbolo do acesso ao museu devido ao tamanho da coleção egípcia do Louvre, maior até mesmo que a do Museu do Cairo.
e os elementos em aço e vidro foram uma contraposição ao antigo, ao invés de imitar a história, a arquitetura vai de encontro com novos materiais e tecnologias para deixar explícita a intervenção no edifício medieval.
particularmente adoro as piramides, adoro o louvre. e achei muito feliz a ideia do arquiteto.

mas entendo a dor dos conservadores ao visualizar aqueles elementos pós-modernos diante de tanta história.
mas arquitetura, como toda forma de arte, deve ser mais sentida, aprendida, do que entendida de fato.
é um apelo à sensibilidade de cada um.

visitar o Louvre é uma obrigação a cada visitante da cidade. não vou falar das obras de arte. dessas vc pode ler nos sites específicos. também não vou falar das dicas e o caramba.
ah! uma dica eu dou: compre o ingresso na fnac, poupa de pegar a fila da compra E da fila de entrada. vc fica em uma fila só. aproveita e compra o ingresso para Versailles também. vai por mim. as filas são absurdas.

o famoso parquet da galeria da renascença italiana

bom, vou falar do edifício em si: não há um lugar, um pedacinho que não seja sensacional.
os pisos são todos trabalhados e lindos, e sim, como o moço do livro cita, o parquet da grande galeria da renascença italiana é lindo! mas os demais também são.

os tetos

Aah! os tetos

 e os tetos? cada sala mostra um detalhe, pintura ou sei lá eu, diferente. vale a pena olhar para cima, para baixo, e atrás das obras de arte, porque os revestimentos em granito e estuque e gesso também são lindos.
coisas que não se fazem mais. que não tem mais função no mundo contemporâneo, mas que alimentam a alma.
e nem to falando só dos arquitetos.


prepare-se para andar, e cansar.
ao sair do Louvre saiba que seu cérebro precisará se reajustar. é muita, mas muita mesmo, cultura por metro quadrado. Para quem ama artes em geral e se acostumou a ver todos aqueles quadros e esculturas em livros. vê-los pessoalmente nos transforma. nos torna mais humildes, mas também mais do mundo.
porque vc vê ali toda a humanidade.

fiquei horas olhando para aqueles quadros e pensando em quanta gente ao longo dos últimos séculos tem feito o mesmo. e se maravilhado do mesmo jeito.
não seja blasé, não fique alheio ao que é belo e foi produzido por pessoas como nós. se for pra isso. não vá ao Louvre.
vá a uma balada qualquer. mas respeite a beleza que nós podemos produzir, e isso apenas porque queríamos (e queremos) mostrar o nosso tempo, o nosso momento. e a nossa angústia diante da mortalidade.
afinal, não é isso que queremos? a imortalidade? os artistas, estes sim, são imortais.
              

todas as fotos são minhas mesmo.
porque não se consegue sair desta cidade sem 2000 fotos de ângulos variados.

despeço-me neste domingo saboroso.
e, espero, amanhã tem mais.