a ilha sob o mar
isabel allende
tradução ernani ssó
3ª edição 2010
editora bertrand brasil – rio de janeiro

pois é, li, e gostei.
o periodo é quase o mesmo do Zorro. Fala de napoleão, do pirata Jean Lafitte, que já havia sido mencionado tambem no Zorro.
Pesquisei no google e o tal pirata existiu mesmo, igual as descrições precisas de nossa amiga isabel.
bom, em relação a este romance, percebi como a autora estrutura seus livros:
primeiro há uma apresentação do personagem principal em primeira pessoa.
depois vem a narração em terceira pessoa da estoria.
antes, conta a vida de pessoas que irão interferir diretamente na vida e evolução da tal personagem principal. No Zorro, conta a paixão dos pais e tal, aqui conta como o dono das plantações e da escrava Zarité, ou teté, chegou ao Haiti, a ilha foi chamada pelos franceses de Santo Domingues.
a historia vai alternando entre primeira pessoa – Teté, e terceira pessoa… e vão desfilando personagens e locais, e história.
varios personagens que interagem com teté de fato existiram, como é o caso do pirata já mencionado.
os romances de allende sempre abrangem um longo periodo de tempo, no caso, cerca de 40 anos, acompanhando a vida da mocinha. que a maior parte do tempo age mais como coadjuvante, já que são muitos os acontecimentos que interferem em sua vida.

fazendo um paralelo com a vida real, creio que é assim, né, as vezes fatos alheios a nós, alteram definitivamente a nossa vida, independente de nossos planos e/ou anseios.

vou confessar, comprei o livro por causa da capa. lindissima. uma negra com cabelos encaracolados, libelulas cor de laranja em alto-relevo, e o nome do livro em azul claro… poético.

o nome corresponde ao paraiso dos negros crentes no vodu, a religião africana.
as crenças nos zumbis, nas ervas, e tantas outras verdades dos negros subjugados, torturados…
a historia da revolução é fantastica.
isabel vai nos levando por todo o calor da ilha, dos sentimentos dos negros, e da arrogancia dos franceses…

depois temos new orleans, que ainda é colonia francesa e atura os recem chegados fugidos da revolução… temos uma previa do que são os furacões, e das crenças em torno dos pantanos e do sincretismo entre catolicismo e o vodu dos negros…
adorei esta parte, incrivel esta visão pré guerra da secessão. com uma america ainda lutando por independencia.
e ainda a questão da escravatura, da crença de que os negros não são humanos.
assustador e ao mesmo tempo, quase inacreditavel, inconcebivel…

allende sempre me irrita um pouco pq a estoria demora a engrenar. fica patinando em descrições de lugares e pessoas as quais não sabemos se vale a pena prestar atenção ou não.
mas lá pelo terceiro ou quarto capitulo a gente já começa a torcer para que os maus encontrem seu destino e os bons tenham seu final feliz…

mas como na vida real, nem todos os males são resolvidos, e sempre nos sobra um traço de amargura e dor.

ainda assim, vale a pena, a historia é linda e forte.
dolorida e as vezes áspera. com as tonalidades fortes dos turbantes africanos.
mas fundamental para não esquecermos o horrores a que chegamos em nome da riqueza e do poder.