sempre fui apaixonada por livros.
antes mesmo de aprender, vivia com os livros do “sitio do picapau amarelo” embaixo do braço.
a força de vontade para aprender a ler veio do desejo de ter a emilia, o pedrinho e a narizinho, o dia inteiro comigo, e não só nos finais de tarde.
meus livros foram e são meus eternos e queridos amigos.
partilharam comigo muitos sonhos. muita tristeza e sim, muita muita alegria.
hoje escolho meus amigos como escolho meus livros.
aqueles que tem conteudo ficam sempre em minha memoria.
os não tão bons, de vez enquando eu dou uma relida.
quem sabe já não amadureci o suficiente para entende-lo…
aconteceu assim com A Metamorfose de Kafka.
ganhei de meu irmão aos 15, odiei.
não entendi nada.
reli aos 20, depois aos 30…e ando precisando reler o danado.
ainda deixa um gosto amargo na boca. mas desde os 20, amo o livro, a secura, a dor, toda a dor da solidão de kafka, e seu homem-barata-besouro-preso no quarto até morrer.
incompreendido. incompreensivel.
mas nem era sobre esse livro que eu queria comentar.
acabei de ler “a jóia de medina” – sherry jones – edit. record – 2009
bom, confesso q me apaixonei pela capa, em um tom dourado, caramelo. Quente.
um lenço contornando um rosto de mulher.
as orelhas do livro prometeram muito. a historia da esposa preferida de maomé, e as intrigas, o amor, e todo o caos do inicio do islamismo, sob o ponto de vista daquela q foi considerada uma das conselheiras do profeta.

bom. comprei pq não aguento essa ideia, de saber mais ou menos, mesmo que romanceado, como era naqueles dias q ninguem sabe direito como foi.
contar a historia do ponto de vista de uma mulher tbém me interessa.
especialmente se é vendida a historia de uma mulher forte, inteligente e capaz de mudar os rumos da historia.

ah! nem é feminismo, é só equilibrar a balança mesmo. afinal, onde estão nossas heroinas?

sinceridade?
esperava mais do livro.
tudo é visto pelo ponto de vista da esposa-criança, a menina ruiva e atrevida que se casa aos 9 com um homem 50 anos mais velho, mas só consuma o casamento aos 14 ou 15 anos.
a adolescente rebelde que foge com o amigo de infancia acreditando q encontrará liberdade junto aos beduinos. e volta, ao dscobrir que de fato, ama o marido.
e a maturidade aos 18, qdo compreende que a mulher, não importa a raça ou religião, vive naquele momento, uma escravidão cruel. totalmente dominada pelo pai, e depois pelo marido.
o livro vai retratando todas as nuances de se casar com um homem influente, com varias esposas em um harem.
se vc pensa q tudo é luxuria e intrigas, se percebe torcendo pela amizade entre as mulheres que vivem presas, a merce das vontades de homens tolos e muitas vezes cruéis.
mas da historia do islamismo?
tudo bem diluido.
maome, que acredito ter sido um homem bastante culto e inteligente, acaba por parecer um charlatão. e mulherengo. fragil e indócil. o q não acredito que tenha sido.

a autora deixa claro uma coisa: a pequena ruiva – a’ isha – é uma menina inteligente e vivaz, capaz de conquistar um homem casado com outras 11 mulheres. ela ainda ganha o respeito das outras esposas mais velhas q ela, e tbém das filhas do primeiro casamento de maomé. Consegue mais ainda, o respeito absoluto do pai, que quase a matou qdo nasceu, pois naquele ano haviam nascido poucos meninos.
verdade ou mentira? o livro entretem.
mas não fará parte da minha lista de prediletos.
apesar de ter adorado o final, o reconhecimento irrestrito de maomé que entrega, não um colar de pedras preciosas (ele deu uma joia destas para cada nova esposa que adquiria), mas sim sua espada, para que sua esposa-criança-guerreira lutasse pelos ideiais do islã.
deixa claro que maomé queria a igualdade entre as mulheres.
talvez o mundo não esteja mesmo pronto para tanta… sabedoria.

deixa o gostinho de quero mais
quero mais disso: historias de deserto e calor, de jihads e amor ao proximo. de luta pela liberdade e pelas minorias.
gostinho de respeito pela religião alheia.
no fim, o que todos queremos é acreditar em um Deus unico e perfeito, que nos ama, e nos acolhe.
o resto? puro fanatismo.

fica em minha memoria, desde o amanhecer, a frase que a’isha aprende com a mãe:

controle seu destino, ou ele a controlará.

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