então.
fui à são paulo um dia destes e, como não podia deixar de ser, passei pela fnac, e… não resisti, tive que comprar! eu resisto a vestidos, sapatos e brincos, mas livros, eu não consigo, é impossivel reprimir o impulso consumista.
desta vez foram dois: arquitetura contemporanea de Diane Ghirardo, Ed. Martins Fontes. ainda tô no começo… como fazia tempo que eu não lia textos complexos sobre arquitetura, este livro está sendo meio indigesto, tenho que mastigar devagarinho.
quem me conhece sabe que devoro livros gigantes em poucos dias, mas quando o assunto é apaixonante e eu estou com preguiça, a coisa fica complicada.
veja bem, eu amo arquitetura em geral, contemporanea mais ainda. ler então, nem se fala. mas ultimamente, eu ando preguiçosa, aí fico com dó de só “passar os olhos” pelo livro, sem analisar, sem digerir, aí leio devagar, entende?
ah, nem tente, eu mesma tô tentando me entender e não consigo.
quanto ao outro livro, foi mais fácil.
foi quase como degustar um sorvete de casquinha do macdonald’s. de chocolate, claro.
uma delícia de livro: acupuntura urbana de Jaime Lerner, Ed. Record.
vamos começar do começo: na faculdade, eu gostava muito de urbanismo. toda aquela questão utópica de vivenciar o espaço público, de organizar o lugar do pedestre e o lugar do carro. valorização da arquitetura existente, abrir espaço pra nova arquitetura, novas soluções para favelas e afins. e tititi, tátátá. tudo muito bonito. a coletividade é realmente algo lindo de estudar.
formatura, colação, festa… vida real…contas pra pagar, emprego, cobranças…
aí, a gente descobre que o coletivo é lindo, mas é preciso mais que boniteza pra ser um bom arquiteto.
sinceramente, aquela conversa toda de urbanismo me cansou, e eu, apesar de procurar estar sempre por dentro das novas tendências mundiais, nunca mais me preocupei com o espaço da cidade.
é utopia demais pro meu gosto. quero ver as coisas acontecendo.
enfim.
to lá na fnac passeando, e vejo este livrinho bonitinho, fininho, pequenininho, e do jaime lerner.
que legal! o cara fez coisas bacanas em curitiba, cidade que não conheço, mas que todo mundo já ouviu falar.
jaime lerner, idem, qualquer pessoa minimamente informada, sabe que o cara é arquiteto e foi prefeito em curitiba, e fez varias benfeitorias por lá.
é a coletividade fazendo e acontecendo.
tudo bem que já conversei com gente que mora lá, e afirma que nem tudo são flores, mas convenhamos, estamos no Brasil, é lógico que tem que haver algo de podre no reino! bom, hj não vou discutir a situação sócio-politica-economica-urbana-arquitetonica brasileira.
vamos voltar ao livro do jaime:
a linguagem é bem fácil, praticamente coloquial. os capitulos são pequenininhos, quase que insights sobre fatos reais e intervenções reais feitas em cidades do mundo inteiro.
fala de passado, de futuro, faz comparações com curitiba, lógico. mas tudo de forma tranquila.
uma conversa de butiquim. daquelas gostosas que não tem hora pra acabar, e ninguem está bêbado. só feliz com a cerveja gelada e a companhia agradável.
eu recomendo. o livro e a cerveja. eheheheheheh. pode ser coca-cola tbem. o que vale é a despretensão.
ninguem vai ficar craque em urbanismo ao ler este livrinho, mas que vai curtir uma leitura agradável vai.

veja! não chamei o livro de livrinho pra desprestigiar ou menosprezar. coloquei desta forma porque é carinhoso, é gentil.
ler este livro é realmente como apreciar um sorvetinho. desce gostoso, refresca e deixa um sabor doce na boca por um bom tempo.
ah, sim! depois dá sede. sede de saber mais sobre urbanismo, de voltar a estudar o coletivo.
é, eu sei, sou contraditória sim!
nasci assim, cresci assim, vou ser sempre assim. e nem sou gabriela.